A ponte pênsil Saturnino de Brito, no litoral de São Paulo, terá a substituição dos cabos de aço de sustentação e revitalização de sua estrutura. A restauração é fruto de relatório do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), emitido em 2010, que apontou a necessidade de realização da troca dos cabos de aço, cuja estrutura estava danificada devido à corrosão. O Instituto, por meio da Seção de Engenharia de Estruturas e do Laboratório de Corrosão e Proteção, auxiliará o DER (Departamento de Estradas de Rodagem), órgão responsável pelo projeto, no monitoramento da reforma. Estão em execução a troca do tablado da pista de rolamento e a recuperação do tabuleiro metálico.
Segundo o pesquisador da Seção de Engenharia de Estruturas envolvido no projeto, Ivanísio de Lima Oliveira, o controle tecnológico consiste na verificação da conformidade da execução da obra, monitorando o comportamento das torres e tensionamentos dos cabos de aço. A intenção é desenvolver centrais de monitoramento à distância online, além da realização de leituras no próprio local da reforma. “Ao mesmo tempo vamos calcular o tensionamento e o esforço ocasionado nos cabos de aço e fazer uma equalização. Todos eles têm que trabalhar de uma maneira uniforme”, ressalta o pesquisador.
Para a realização das trocas dos cabos, haverá a instalação de um sistema de torres provisórias, dispostas ao lado das já existentes. As torres servirão de ancoragem à implantação de cabos provisórios que servirão de sustentação momentânea à estrutura da ponte. De acordo com o professor, os cabos substitutos, importados da Itália, passarão por ensaios realizados pelo IPT para que possam ser liberados ao Brasil. Com a chegada dos cabos, prevista para fevereiro a março de 2014, o IPT iniciará “a instalação do sistema provisório, para aliviar e remover os cabos existentes”, explica o pesquisador.
A ponte de São Vicente, que completará seu primeiro centenário em maio de 2014, está interditada desde o dia 10 de julho, em função das obras. De acordo com o pesquisador, a substituição de cabos de aço de uma ponte pênsil é praticamente inédita, algo semelhante só feito na Ponte Chavantes, quando uma inundação do rio Paranapanema causou a ruptura dos cabos de aço.
A localidade da ponte, junto à orla marítima, é agressiva a materiais metálicos, devido à salinidade do ambiente. Periodicamente, a ponte passa por projetos de limpeza, remoção da corrosão e recebe nova pintura. No entanto é a primeira vez que ocorrerá substituição dos cabos de aço. “A nossa expectativa é de que esse novo sistema que estamos instaurando, com a recomendação de pintura adicional sobre o tratamento fábrica, tenha uma vida maior [do que cem anos]”, explica Ivanísio Oliveira.
As obras durarão cerca de um ano. “Não sei se vai ser possível a recuperação até a data dos 100 anos. Acho que o trabalho irá se alongar um pouco mais, porque é muito difícil”, ressalta o pesquisador. Apenas ciclistas desmontados da bicicleta e pedestres podem passar pela ponte. Para os motoristas, a alternativa é passar pela Ponte Esmeraldo Soares Tarquínio de Campos Filho, popularmente conhecida como Ponte do Mar Pequeno.