Prêmio Nobel da Química concedido ao suíço Alfred Werner completou seu centenário neste ano. O químico em questão foi o primeiro laureado na química inorgânica, e permaneceu o único dessa área a receber uma das mais altas distinções até 1973, quando Ernst Otto Fischer e Geoffrey Wilkinson receberam o Nobel pelos seus trabalhos pioneiros nesse campo.
Alfred Werner nasceu na cidade de Mulhouse, região alsaciana da atual França, em 1866. Ele foi professor do Collège de France em Paris entre 1890 e 1891 e do Politécnico de Zurique em 1892. Em 1895 obteve a nacionalidade suíça. Seus trabalhos mais importantes se referiam à estereoquímica, estudos dos compostos que possuíam as mesmas fórmulas moleculares, só que diferentes estruturas.
Segundo Henrique Toma, professor do Instituto de Química da USP, “foi a primeira pessoa a discutir as formas das moléculas e como isso tem influência no mundo. E hoje tudo o que nós fazemos na química está ligado a isso, desde remédios, atividades biológicas, até compostos e aplicações”.
Em 1891, Werner publicou um trabalho sobre a teoria da afinidade e de valência, na qual ele substituiu concepção do químico August Kekulé, em que delimitava para cada átomo uma quantidade máxima de ligações químicas necessárias para que eles se estabilizem com determinada quantidade de elétrons na última camada da eletrosfera, região do átomo ocupada por elétrons.
O laureado afirmava que os compostos moleculares inorgânicos contêm átomos individuais, que atuam como núcleos centrais ao redor, do qual é disposto um número definido de outros átomos ou outras moléculas em um padrão espacial simples e geométrico.
Uma de suas principais descobertas foi feita no trabalho com o ácido tártarico, principal ácido do vinho e o responsável por formar cristais que ficam no fundo de embalagens que contêm suco de uva. “Werner teve a paciência de pegar cada cristal e observá-los no microscópio, de modo separá-los de acordo com as duas formas apresentadas. Uma parecia a imagem da outra, mostrando que essas espécies químicas tinham morfologias distintas e se comportavam com se fossem objeto e imagem, assim como ocorre com as mãos, em que uma não ocupa o espaço da outra”, explica Toma.
A importância de se trazer para o universo químico histórias como a de Alfred Werner está em apresentar para os novos pesquisadores os grandes nomes do passado e que ainda influenciam as descobertas e inovações nesse e em diversos campos. Como evidencia o pesquisador, “a maioria dos químicos nem desconfia de quem foi Alfred Werner. Mas a minha maior preocupação não é o fato de desconhecer, mas sim é o fato de que quando não conhecemos as pessoas que tornaram possível tudo que existe hoje, estamos renegando a própria cultura, tradição e valores”.