ISSN 2359-5191

20/04/2005 - Ano: 38 - Edição Nº: 04 - Economia e Política - Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas
Pesquisa valoriza papel das pequenas empresas

São Paulo (AUN - USP) - “Vão-se os empregos, fica o trabalho”. Esta é a constatação de um estudo sobre os dois circuitos da economia realizado por estudantes de graduação e pós graduação do departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas.

O Projeto, orientado pela Professora Doutora no Departamento Maria Laura Silveira, foi inspirado em um estudo seu em parceria com o Professor Milton Santos, que em 2001 transformou-se no livro O Brasil. Território e Sociedade no início do século XXI (Record, Rio de Janeiro).

O estudo desenvolvido no momento, no entanto, aborda a dinâmica das empresas no território brasileiro, sua ação e dependência do deste, sua força política e de mercado. Analisando os dois circuitos da economia urbana: circuito marginal superior (as grandes empresas nacionais ou multinacionais que dispõe de tecnologia e presença marcante perante os governos) e o circuito inferior(onde se encontram as pequenas e médias empresas), o grupo trabalhou seguindo o conceito de que o território não é formado só pela ação dos grandes grupos e do grande capital.

Produtoras de vídeo e de áudio, estúdios fotográficos, estúdios de gravação e ensaio, videolocadoras, pequenos e médios laboratórios farmacéuticos, editoras, gráficas, ateliers inserem-se nessa dinâmica moderna. Fazem parte desse mesmo recorte da economia lanchonetes, fabricação de calçados, de roupas, de móveis, costureiras, mudanças e carretos, agências de motoboy, revendedores de tickets, passes e vales-refeição, conserto e revenda de telefones celulares, e de aparelhos de uso doméstico . Há ainda os profissionais independentes (dentistas, médicos, advogados, professores de línguas estrangeiras) e áreas modernas (gráficas digitais, serviços de informática, consultorias). Toda essa gama de atividades são exemplos do que durante muito tempo convencionou-se chamar de economia informal e ganhou impulso com as reformas neoliberais da década de 90 - com a diminuição do número de empregos no setor público e ligados às atividades que absorveram avanços com a automação e reengenharia de processos.

Tais atividades estão cada vez mais inseridas na dinâmica do grande capital. Exemplo disso é a relação com o mercado financeiro: caracterizado pelo baixo grau de capital fixo tecnológico, “o circuito inferior também é impingido a aumentar seu capital de giro por meio do crédito, ainda mais quando muitos dos pequenos empresários trabalham como pessoa física”, nas palavras da professora Maria Laura. O custo do dinheiro, porém, é extremamente alto (alcançando 160% anual), o que faz com que muitas empresas, não suportando esses mecanismos leoninos de crédito, fechem as portas. Mas no ambiente das grandes cidades, “Graças aos custos de produção mais baixos pela ampla oferta e proximidade de insumos, mão-de-obra e clientes, surge um considerável número de pequenas empresas e, desse modo, mesmo que a mortalidade das firmas possa ser alta, a demanda constante possibilita que outras possam nascer”.

Acompanhando outra tendência no século XXI, ganham espaço as empresas criadoras de uma publicidade para o pequeno comércio e alguns serviços( banners, carros de som, faixas), aproveitando a busca desse nicho por incorporar a “virtualidade das técnicas contemporâneas”.

No que se refere às relações de trabalho, concluiu-se no estudo que é o “trabalho intensivo(sem horários, sem benefícios, sem pausas pré-estabelecidas) que define o circuito inferior e hoje, mais do que nunca, também o circuito superior marginal, em contraposição à escassez de capital, e não o cumprimento-descumprimento de um sistema normativo em vigência”.

Embora a ênfase da pesquisa seja dada à metrópole paulistana, foram acompanhados também o funcionamento de outras metrópoles brasileiras, como Rio de Janeiro e Porto Alegre.

Pretende-se com o panorama que provavelmente será concluído até o final desse ano oferecer algumas considerações teórico-empíricas que possam contribuir na interpretação dos processos de urbanização e do funcionamento da economia urbana nas suas relações com a região e com a rede urbana

O trabalho tem sido realizado com verbas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico (CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), dos quais a professora Maria Laura é pesquisadora.

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