A concepção de escola é formada pelas experiências, pela interação com os professores e colegas, mas também pelas fotografias que retratam a vida nesse ambiente. A tese de doutorado de Rachel Abdala mostra a influência que esse material pode ter na construção da imagem escolar.
Considerando que a forte relação afetiva das pessoas com as fotografias escolares as torna elementos importantes da cultura escolar, a pesquisadora objetivou investigar como os registros fotográficos da escola e de suas práticas tendem a representar o que se entende como escola.
Nessa pesquisa, Rachel analisou os álbuns de fotografia do colégio Caetano de Campos, para ver como se constroi uma imagem de escola a partir de elementos internos à própria escola. Há, no entanto, diferentes tipos de álbuns que remetem a diferentes tipos de fotografias escolares; há aqueles que mostram a arquitetura do colégio, há os de formatura, entre outros, mas todos eles são narrativas que reproduzem a prática e a hierarquia escolar.
O registro fotográfico conformou um olhar sobre a prática escolar, na medida em que o seu padrão propaga ideias e ideologias disseminadas na sociedade, contribuindo para reforçá-los.
“As fotografias oferecem-nos recortes da realidade”, diz Rachel, dessa forma, a especificidade dos retratos escolares - desenvolvida a partir de fotografias sociais - influencia a construção de uma referência tanto a priori quanto a posteriori. Em ocasiões especiais há uma espectativa em torno da fotografia, há um comportamento previamente esperado. Por outro lado, futuramente a foto desperta uma memória escolar e afetiva que, raras exceções, está sempre dentro dos mesmos padrões.
Assim, as fotografias cristalizam representações e criam expectativas. Rachel Abdala afirma que “as imagens têm muita força”. Por isso, a repetição de um mesmo padrão fotográfico é capaz de criar e reforçar uma mesma representação.