ISSN 2359-5191

13/08/2015 - Ano: 48 - Edição Nº: 74 - Saúde - Instituto de Química
Proteína é relacionada à disseminação do câncer de mama
Partícula CD90 foi responsável pela divisão celular em casos da doença
A proteína CD90 estimula a divisão celular e, por consequência, a disseminação do câncer de mama. Foto: Reprodução.

A proteína CD90, presente em células de câncer de mama, está relacionada à divisão celular, que causa a disseminação da doença em pacientes. Esta foi a descoberta da pesquisa de Aline Maia para sua tese de doutorado, defendida no Instituto de Química da USP, que também analisou como células saudáveis reagem à adição dessa proteína em seu DNA.

O CD90 é uma proteína localizada na membrana celular, relacionada a funções de migração e proliferação das células. Ele foi selecionado por ser comumente expresso em cânceres mais malignos, porém não está presente em células comuns da mama. Isto levou a uma busca em compreender melhor suas funções e sua atuação na transformação da célula saudável em uma célula tumoral.

A partir disso, foram feitos testes em que se compararam uma linhagem normal de mama e outra com alta concentração de CD90. Também foram analisadas células saudáveis com a introdução da proteína e células cancerígenas com a redução da expressão da mesma. Para conseguir que a proteína fosse expressa em células saudáveis, foi necessário clonar o DNA complementar de células cancerígenas e, através de um vírus, integrá-lo ao DNA original.

Ao inserir o CD90 em uma célula comum de mama, pode-se perceber que a divisão celular ocorria mais rapidamente do que o normal e o formato da célula sofria alterações, se tornando mais parecido com uma célula cancerígena. “Esse resultado é de grande importância, pois a partir dele pode-se investigar mais o CD90, possibilitando ter mais uma opção tanto para o desenvolvimento de novos tratamentos como também ferramentas para diagnóstico”, afirma Aline.

As células normais da mama dependem do fator de crescimento epidermal, o EGF, uma proteína que, quanto ativada, produz um efeito cascata que cria mais genes responsáveis pela proliferação celular. Este meio é uma importante forma para a produção de culturas para estudos em laboratório. Foi descoberto que as células comuns com a adição do CD90 conseguiram ter essa mesma função de multiplicação celular sem a necessidade do estímulo por EGF. Isto comprova o poder desta proteína na disseminação da doença.

A pesquisa possibilitou que, no futuro, se investigue a utilização do CD90 como um marcador biológico para o câncer de mama para ser identificado nas pacientes. Além disso, surge a alternativa com tratamentos diferenciados a cada pessoa com câncer, dada a quantidade da proteína presente. Como isto varia de paciente para paciente, seria possível tratar cada um de maneira distinta, dependendo do estado do câncer em cada pessoa.

Os próximos passos a serem feitos consistem em fazer estes estudos em pessoas, para mais adiante se estabelecer uma relação entre a quantidade de CD90 e o estágio da doença, analisando o antes e o depois do tratamento e acompanhando o histórico para possibilitar um tratamento melhor a cada paciente.

Também deve ser pesquisado sobre como o CD90 reage ao tratamento feito com quimioterapia, se ele consegue ser uma forma eficaz para eliminar a doença. Da mesma forma, ele pode ser utilizado como um novo alvo para tratamento do câncer, devido às suas funções de disseminação da doença.

Leia também...
Nesta Edição
Destaques

Educação básica é alvo de livros organizados por pesquisadores uspianos

Pesquisa testa software que melhora habilidades fundamentais para o bom desempenho escolar

Pesquisa avalia influência de supermercados na compra de alimentos ultraprocessados

Edições Anteriores
Agência Universitária de Notícias

ISSN 2359-5191

Universidade de São Paulo
Vice-Reitor: Vahan Agopyan
Escola de Comunicações e Artes
Departamento de Jornalismo e Editoração
Chefe Suplente: Ciro Marcondes Filho
Professores Responsáveis
Repórteres
Alunos do curso de Jornalismo da ECA/USP
Editora de Conteúdo
Web Designer
Contato: aun@usp.br