Na hora de comprar um alimento perecível surge sempre a preocupação com o prazo de validade daquele produto. Porém, a verificação dessa validade nem sempre é facilmente verificável a olho nu, já que o produto pode apresentar microorganismos danosos à saúde sem mudar de aparência imediatamente. Para resolver esse problema, foi desenvolvido um dispositivo de detecção desses microorganismos que é incorporado em embalagens plásticas e que pode mostrar seus resultados diretamente no smartphone do consumidor.
Os microorganismo, ao colonizarem o alimento, emitem compostos orgânicos voláteis. “E isso é característico para cada microorganismo, é meio que uma ‘impressão digital’ dele”, explica Lígia Bueno, que desenvolveu o projeto e é doutoranda do Instituto de Química, sob a supervisão do Prof. Thiago Regis Longo Cesar da Paixão
A ideia do dispositivo é ter cinco membranas feitas de acetato de celulose, todas em formato redondo. Cada uma das “bolinhas” recebe um corante diferente, que vão reagir de formas diferentes de acordo com o composto volátil liberado pelos microorganismos. Esse dispositivo, já que é compatível com o material que embala o alimento, seria alocado no canto da embalagem.
O modo de recepção dessas variações é o mais palpável e usual possível: os smartphones. Por meio de softwares, o aparelho consegue detectar, dentro do padrão RGB (do inglês red (vemelho), green (verde), blue (azul)) a quantidade de cada cor presente nas “bolinhas” com corantes antes e depois do contato com os compostos voláteis. Esses dados são colocados numa matriz e formam um banco de dados a partir do qual novas informações são usadas como meio de comparação.
Num primeiro momento, o dispositivo foi pensado com o foco na embalagem de carnes. Porém, o potencial projeto vai além disso. “Você pode usar também o dispositivo de uma outra maneira até na parte de produção, porque nela você tem os alimentos in natura então dá para fazer esse controle” aponta Lígia. Isso evitaria que o alimento chegasse estragado no posto comercial e representaria uma segurança maior contra a intoxicação por alimentos perecíveis.
Esse projeto desenvolvido recebe auxílio da FAPESP (2011/23355-3) e da ONR (Office of Naval Research N62909-15-1-N045).