Diante da falta de concentração dos estudos sobre a antiga região industrial ZUPI 131 em Jurubatuba, o pesquisador Marcos Barbosa desenvolveu um sistema de informações geográficas para entender o problema da contaminação de aquíferos na região. A pesquisa faz parte do projeto GESOL, coordenado pelos professores Reginaldo Bertolo e Ricardo Hirata, que estuda o fluxo e o comportamento dos contaminantes, no caso os solventes organoclorados - base de cloro - para entender qual o comportamento desses compostos em aquíferos fraturados.
Dentro do projeto, o foco do pesquisador em sua dissertação de mestrado no Instituto de Geociências foi entender a contaminação regional na água subterrânea. A principal unidade hidrogeológica estudada foi o aquífero poroso, que funciona como uma caixa de área onde a água se move pelos poros, conhecido como fluxo intergranular.
O sistema de informações geográficas começou a ser desenvolvido através da escolha de um modelo de banco de dados para hidrogeologia já existente, o Arc Hydro Ground water. Depois das adequações necessárias, o pesquisador adicionou os dados levantados nos processos de gerenciamento de áreas contaminadas. A ideia é que esse seja um piloto para ser utilizado pela CETESB, Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, órgão responsável pelo controle, fiscalização, monitoramento e licenciamento de atividades geradoras de poluição. Atualmente o processo de gerenciamento de áreas contaminadas no Estado de São Paulo é individualizados, o que faz com que a integração de dados entre diferentes áreas seja muito trabalhosa e, muitas vezes, incompatível. “Desse modo é difícil ter uma visão mais ampla do problema, porque as informações não se cruzam”, afirma o pesquisador.
Área contaminada
A região do Jurubatuba foi escolhida por ter um histórico de estudos ambientais longos desde 2001. Além disso, a discussão sobre o recurso hídrico da região é importante, uma vez que já há restrição do uso da água subterrânea local por causa da contaminação gerada pelas indústrias nos poços profundos. Para lidar com este problema, o Departamento de Águas e Energia Elétrica - DAEE contratou em 2008 um grande estudo para mapear a contaminação do aquífero cristalino e estabelecer níveis de restrição.
Apresentado no Congresso Internacional da Associação dos Hidrogeólogos em Roma em setembro deste ano, o sistema, se adotado pelo órgão estadual, poderá contribuir para o processo de gerenciamento de áreas contaminadas de maneira mais efetiva, não só nessa região, mas em todo o Estado de São Paulo.