Todo mundo leva a sério pessoas que são viciadas em cigarro, bebidas alcoólicas, drogas ilícitas… Mas quando alguém diz que é dependente de chocolate, todo mundo dá risada. O que parece ser brincadeira é sério, e merece a atenção de todos. Mas um estudo desenvolvido por Juliana Cajado, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo, certamente ajudará os viciados que não conseguem se controlar. Ela criou um chocolate feito com couve e outro feito com uva. Eles são muito mais nutritivos, trazem mais benefícios à saúde… Mas resta saber se o sabor é atrativo.
Durante um carnaval, a química Juliana se deparou com várias pessoas tomando os famosos sucos detóx (consumido principalmente por quem quer emagrecer). Ela começou a ler os rótulos das embalagens da bebida, e percebeu que todos tinham couve em sua composição. Na sequência, foi pesquisar o que essa folhagem tinha de tão especial, e descobriu que ela possui uma grande quantidade de antioxidantes, substâncias que retardam a ação de radicais livres no corpo e diminuem o ritmo do envelhecimento. Com essa informação em mãos, resolveu então utilizar a couve-manteiga para produzir um chocolate mais nutritivo em seu mestrado.
Além da folhagem, a química também decidiu usar a uva para produzir os chocolates por conta da grande quantidade de antioxidantes, comprovada por estudos que atestam todos os benefícios da fruta, do vinho ou do suco de uva integral, por sua coloração escura (que não chama a atenção dentro do chocolate), e a leve acidez que confere um sabor diferente ao doce.
Foram produzidos três tipos de chocolate ao leite no laboratório, divididos em três grupos, todos com um liquor de cacau de qualidade, com quantidade 60% maior de antioxidantes, cacau em pó, e manteiga de cacau (uma gordura muito mais saudável que a utilizada nos chocolates ao leite convencionais vendidos nos supermercados). O primeiro era comum, sem uva nem couve; o segundo tinha apenas couve desidratada em pó; e o terceiro possuía exclusivamente a uva desidratada. Para que a couve não perdesse seus nutrientes, ela passou pelo processo de liofilização, ou seja, foi comprada in natura, foi congelada, e depois passou por uma secagem rápida. Por fim, foi triturada até virar pó.
Juliana realizou um experimento sensorial interno com alunos, professores e funcionários da Faculdade de Ciências Farmacêuticas. “Ninguém notou a diferença entre o chocolate comum e o que tinha couve”, comemorou a química. Já o chocolate com uva está nos testes sensoriais finais . O repórter aqui já provou este último e garante: o sabor se assemelha muito ao de um chocolate ao leite de qualidade. A expectativa é que a pesquisa seja concluída até o fim do ano e, em breve, o produto poderá ser comercializado. Aí todo mundo poderá comer chocolate a vontade, sem preocupação. Será?