ISSN 2359-5191

30/05/2001 - Ano: 34 - Edição Nº: 09 - Saúde - Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto - USP
Pesquisa analisa o estresse da mãe-acompanhante em unidade pediátrica

São Paulo (AUN - USP) - O desgaste físico, a angústia, o nervosismo e a ansiedade, somados à sobrecarga de tarefas, são as principais causas do estresse vivido pela maioria das mães-acompanhantes em unidades pediátricas de internação. Ainda assim, pesquisas sobre a importância dos pais junto ao filho hospitalizado revelam que o contato direto minimiza as chances de traumas psicológicos na criança.

Mas para que haja harmonia entre filhos internados, pais-acompanhantes e equipe hospitalar, diversos pontos devem ser considerados. Identificar, especificamente, quais fatores apóiam a mãe-acompanhante e quais a estressam durante a hospitalização do filho foi o objetivo da enfermeira Liamara da Silva Siqueira em sua monografia de conclusão de curso.

A coleta de dados, as observações e as entrevistas foram realizadas durante os dois meses de estágio curricular no HU. “Pude detectar os conflitos das mães-acompanhantes logo nos primeiros dias de observação”, revela Liamara. “Apesar de não estarem doentes fisicamente, elas se internam com os filhos e ficam doentes psicologicamente”.

Conforme relatou a maioria, o que mais as desgasta é ver o filho sofrer. Liamara recorda o que ouviu de uma das mães: “Vê-lo em uma cama sem comer, para mim, foi o fim”.Outra mãe, referindo-se a um procedimento invasivo, contou que teve crise de choro enquanto a enfermeira tentava pegar a veia da criança. Nas anotações da pesquisadora, o registro da dor: “Aquilo começou a me dar uma crise de choro e eu chorei, chorei, chorei...”.

O cansaço, decorrente de dias exaustivos e noites mal dormidas devido a luzes acesas e poltronas insuficientes, foi apontado pelas seis mães entrevistadas como um dos principais fatores estressantes.

A ansiedade, a angústia e o senso de ambivalência, ou seja, de ter de assumir, como cuidadora insubstituível, o filho doente e, à distância, a casa e a família são outros fatores que contribuem para a desestabilização emocional da mãe. “Elas ficam mais tranqüilas quando algum familiar as auxilia nestas tarefas”, explica Liamara.

O apoio moral dos parentes também é fundamental para a estrutura emocional delas. Nos depoimentos, revelaram extrema carência e acusaram o horário de visita, diariamente das 13h às 19h para o pai e das 15h às 17h para parentes, como um dos responsáveis pela sensação de abandono. “Geralmente o pai que trabalha não consegue chegar ao hospital dentro do prazo estipulado”, lamenta a enfermeira.

Outro ponto relevante para o bem-estar das mães é o bom relacionamento com a equipe hospitalar. Na opinião de Liamara, a enfermagem deveria empenhar-se mais na elaboração de estratégias para ajudá-las. E enfatiza a necessidade de o profissional reconhecer as dificuldade e inseguranças vividas pela acompanhante. “No instante em que a mãe sente que não vai mais suportar a dor é que entra nossa responsabilidade de enfermeiros. Temos uma visão do todo - da criança, como paciente, e da mãe, como referencial – e com um pouco de sensibilidade devemos ser capazes de oferecer apoio”. Ela afirma que o simples fato de explicar os procedimentos já traz segurança às mães.

Nas conclusões finais do trabalho, terminado em novembro de 2000, Liamara observa que o sofrimento e as dificuldades enfrentados pelas mães-acompanhantes são semelhantes, embora haja particularidades. Entre elas estão a gravidade da doença, o fato de ser ou não a primeira internação, o contexto familiar em que a mãe está inserida e, principalmente, sua estabilidade emocional para enfrentar a situação.

A enfermeira ressalta, mais uma vez, a importância da equipe de enfermagem no cuidado com mãe-acompanhante, respondendo suas dúvidas quanto à saúde da criança e dizendo que a presença dela, por si só, já contribui para a recuperação do filho.

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