ISSN 2359-5191

13/06/2001 - Ano: 34 - Edição Nº: 11 - Meio Ambiente - Instituto de Geociências
Erosão no Estado de São Paulo seca rios e modifica solo fértil

São Paulo (AUN - USP) - A destacável erosão no oeste do estado de São Paulo não é resultado apenas da ação humana. Esta com certeza acelera o processo natural lá existente, porém o homem não é o único responsável pela situação de assoreamento dos rios, fraturas e degradação do solo na região. É o que aponta pesquisa da Geociências premiada no VII Simpósio Nacional de Controle de Erosão, realizado no último mês de maio em Goiânia. A pesquisa cobriu as cidades de Herculândia, Quintana e Paulópolis e Oriente, mas o panorama por ela traçado é cabível a diversas áreas de encostas de formações geológicas distintas.

Segundo o professor Joel Sígolo, a erosão nessa área se deve à conjugação dos fatores geológicos (encontro das formações Adamantina e Marília) à ação do homem. Os primeiros remontam a terremotos ou cismas modernos (neotectônica) que ocasionaram o soerguimento e a ruptura do solo independentemente da ocupação humana. A ação do homem, por sua vez, traduz-se principalmente em uso inadequado do solo, desmatamento e construção de estradas e cidades.

É comum na região, desde o início de sua ocupação, a remoção da plantação nativa por fazendeiros para estabelecer pastagens de gado ou então cultivo de café (cujas plantas são baixas). Foi o que ocorreu em Pompéia. Em 1962, de acordo com o professor, havia 91 ocorrências de erosão originadas pela retirada da mata na área de encontro entre os dois planaltos. Em 1999, das mesmas 91, somente seis ainda existiam. Isso porque os fazendeiros arrendavam as partes erodidas de suas terras a cooperativas de agricultores, e estes recompunham o solo com aditivos e plantavam diferentes culturas. Quando o prazo de arrendamento termina, os fazendeiros recebem a terra de volta devidamente restituida e recuperada pelos arrendatários e passam a reutiliza-las como pastagem. Essa reutilização favorece novamente os processos de erosão neste Município. “Isso é uma prova de que o problema tem solução, basta que se queira. Mas ninguém quer investir no reflorestamento nas encostas”, afirma Joel. “Considero este aspecto um desastre ecológico, e o que é pior, de fácil solução”, reitera ele.

O processo natural de erosão iria acontecer mesmo sem essa má utilização da terra, porém não atingiria tais proporções com conseqüências tão graves como as que podem ser vistas atualmente. Muitos rios desapareceram, dado seu assoreamento. “Há rios que perderam metade de sua capacidade de água em cerca de 30 anos. Diferentes municípios nesta região já perderam vários córregos e até mesmo alguns rios mais expressivos”, conta Joel Sígolo. O abastecimento das cidades da região estudada hoje é feito por águas subterrâneas. O professor narra uma conversa com um perfurador de poço local, na qual este informa que, se antes costumava perfurar 6m, agora ele chega a atingir a profundidade de 15m ou mais para encontrar água subterrânea no mesmo local.

O desmatamento provoca a desertificação, pois o sol atinge diretamente o solo que antes se encontrava protegido por árvores e oxida o “húmus”, determinando a perda de nutrientes. Uma comprovação desta situação, de acordo com o pesquisador, é que os fazendeiros da parte baixa do planalto têm de dispensar mais recursos com sal para engordar o gado do que aqueles estabelecidos na parte alta. Isso porque o potássio desce com as chuvas e reage com o sódio (contido no sal – NaCl), inibindo-o. Tal ocorrência é verificada em toda a margem do rio do Peixe, área bastante desmatada. A construção de estradas também ocasiona fraturas de até 600m de comprimento em suas beiras, por causa dos bueiros de captação de água construídos nas proximidades das rodovias.

O solo da região estudada é um podzol, notadamente fértil. No entanto, ela enfrenta esses problemas graves, tanto na agricultura, quanto no estabelecimento de cidades. Para Joel, eles podem ser evitados ou mesmo contornados com a ocupação racional do solo, sem desmatamentos em regiões críticas (como a de encontro de formações geológicas diferentes). “A erosão continuaria, por ser um processo natural já existente, mas sem causar desastres como os atualmente observados”. Hoje restam pontos localizados quase insignificantes de mata na região, que foi substituída por café e capim.

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