São Paulo (AUN - USP) - Em um país com tamanha biodiversidade, há infinitas possibilidades de se aproveitar economicamente esse potencial. Uma delas é a química de produtos naturais, ou seja, a utilização de plantas para produção de substâncias com possível uso na indústria, principalmente de medicamentos e de cosméticos.
O professor Massuo Kato, do Instituto de Química, faz, em seu laboratório, isolamento e determinação estrutural de produtos naturais de plantas. Essa linha de pesquisa tenta desvendar as rotas e as sínteses de como uma planta fabrica determinadas substâncias. Para isso, utiliza plantas vivas e culturas de células e obtém cooperação de outros grupos que trabalham com avaliação de atividade biológica. O professor participa do programa Biota, financiado pela Fapesp, e através dele avalia o potencial e a diversidade biológica no estado de São Paulo, buscando substâncias que possam ser desenvolvidas para fazer medicamentos.
Os resultados mais importantes foram relacionados à família das piperáceas (à qual pertence a pimenta-do-reino). Estas podem ser encontradas em todo o Brasil e são uma fonte de substâncias que agem contra fungos, moluscos, lagarta-da-soja, broca da cana-de-açúcar e outros tipos de pragas comuns. Seu grupo de pesquisas trabalha ainda no estudo de produtos naturais e sintéticos com atividade anti-chagásica.
A bioprospecção, ou seja, a busca por atividade biológica na planta, pode apontar para soluções importantes. Nesse ponto, segundo o professor, o terma-chave é sustentabilidade. O desenvolvimento de fitoterápicos confiáveis ou mesmo de medicamentos a partir de nossa biodiversidade têm merecido grande prioridade. Essa atividade tem como característica a possibilidade da participação de comunidades em programas de bioprospecção, através da coleta e da preparação do material botânico para o início das pesquisas nessa área. Assim sendo, esse tipo de trabalho multidisciplinar pode apontar para soluções com conseqüências econômicas e sociais da mais bem-vindas para o país.