ISSN 2359-5191

13/06/2001 - Ano: 34 - Edição Nº: 11 - Ciência e Tecnologia - Faculdade de Ciências Farmacêuticas
Pesquisa da Farmácia estuda relação entre alimentação e câncer

São Paulo (AUN - USP) - Algumas substâncias presentes em alimentos possuem uma ação protetora no processo de formação do câncer. Com base nessa constatação, o professor Fernando S. Moreno, do Departamento de Alimentos e Nutrição Experimental, vem realizando pesquisas com o objetivo de detectar essa proteção e decifrar seus mecanismos de atividade.

Utilizando modelo de hepatocarcinogênese (câncer de fígado) em ratos, a equipe de pesquisa procura desenvolver a quimioprevenção do câncer, ou seja, a prevenção através de substâncias químicas a partir de estudos com alimentos. Para isso, são ministradas doses de substâncias anticarcinogênicas como o beta-caroteno (presente na cenoura, em vegetais verde-escuros e em frutas de cor alaranjada), o licopeno (presente no tomate), a vitamina A e seus derivados. Em seguida o câncer é induzido nos ratos através da aplicação de uma substância química cancerígena. A análise dos resultados mostrou que as lesões no fígado dos ratos que receberam as doses de anticarcinogênico eram em maior número e menos graves.

Apesar de não ser um tipo de maior incidência, o câncer de fígado foi escolhido para o estudo pois, entre outros motivos, permite a distinção das três principais etapas da carcinogênese: iniciação, promoção e progressão. A fase de iniciação do câncer não é perceptível e caracteriza-se pela ocorrência de alteração irreversível no DNA. Na de promoção, as células geneticamente alteradas começam a se proliferar; tal processo é reversível. Na fase de progressão ocorre a conversão do tumor para a malignidade, podendo haver invasões de tecidos próximos e disseminação de metástases.

Apesar de as substâncias utilizadas na pesquisa apresentarem ação protetora em uma ou mais fases da formação da doença, o professor Moreno desaconselha o uso de suplementos no consumo alimentar: “Estudos com indivíduos fumantes crônicos, por exemplo, tiveram que ser interrompidos porque as altas doses de beta-caroteno, ao invés de diminuírem o câncer de pulmão, estavam aumentando-o”. A alimentação considerada ideal, segundo ele, deve ser rica em frutas e hortaliças. Além disso, é aconselhável também a redução no consumo de gorduras e a retirada das partes queimadas da carne, pois são carcinogênicas.

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