São Paulo (AUN - USP) - A Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) vem desenvolvendo um trabalho para definir os produtos apícolas como a geléia real, mel composto (uma espécie de “mel aditivado” com geléia real) e o pólen. Nessas pesquisas, busca-se o fornecimento de dados para a elaboração ou o aprimoramento dos Padrões de Identidade e Qualidade (PIQ) e para a composição nutricional dos derivados do mel, área de interesse do Ministério da Agricultura.
Segundo a professora e pesquisadora Ligia Bicudo de Almeida Muradian, do Departamento de Alimentos e Nutrição Experimental, “não existe legislação que regulamente o que é geléia real, quais são os componentes desse produto, como devemos classificá-lo, nada”.
Como não há norma específica para determinar o que é e o que não é geléia real, o consumidor não pode se defender. O produtor está aberto para vender o que quiser e dar o nome de geléia real. O mel, por exemplo, já possui os PIQ, que definem o que é mel e classificam todos os tipos do produto. É isso que o Ministério pretende fazer agora com outros produtos apícolas.
A professora diz que as pesquisas surgiram antes da vontade do governo de criar a legislação: “Orientei a dissertação de mestrado do aluno Luis Henrique Garcia-Amoedo, intitulada ‘Geléia real: análises físico-químicas e químicas úteis para a caracterização e detecção da autenticidade ou adulteração do produto’ e, a partir daí, conseguimos identificar uma espécie de ‘impressão digital’ da geléia, que é o Ácido 10-HDA”. O trabalho, defendido em junho de 1999, foi pedido pelo Ministério da Agricultura. “Uma orientanda minha foi a uma reunião com a equipe do Ministério e eles perguntaram se alguém já tinha feito pesquisas com a geléia real, pois eles pretendiam regulamentar os PIQ o mais rápido possível”, conta.
A necessidade dos PIQ aumentou depois do surgimento do Mercosul, já que o Brasil é comprador de produtos apícolas argentinos. Os padrões de qualidade são eficientes para controlar o mel puro que entra no país, mas existe ainda a preocupação em relação a outros derivados. Os PIQ, atualmente, só valem no Brasil, embora, segundo a professora Ligia, haja a intenção de estender a legislação para todo o Mercosul.
Outro produto apícola que não possui uma identidade até o momento é o pólen desidratado. “Pretende-se neste estudo, que está sendo feito agora, a determinação de sua composição nutricional e a indicação das análises físico-químicas para o estabelecimento do seus PIQ”, explica a pesquisadora. Serão realizadas pela equipe da FCF as mesmas análises que foram feitas com a geléia. “Ainda não existe um pedido oficial pelo Ministério, mas, com certeza, nos próximos meses, depois que for feita a consulta pública sobre a geléia real, deve sair essa requisição”, acredita.