ISSN 2359-5191

22/03/2000 - Ano: 33 - Edição Nº: 02 - Meio Ambiente - Instituto de Pesquisas Tecnológicas
Confusão no subsolo de São Paulo preocupa cientistas

São Paulo (AUN - USP) - O subsolo de São Paulo está num estado muito confuso. As empresas que operam dutos subterrâneos perdem muito dinheiro e pessoas se acidentam e por vezes perdem a vida devido à falta de conhecimento que se tem sobre a rede de canos que percorre a cidade. A população não imagina o perigo que alguns dutos representam. "Sem dúvida, o problema maior é com os produtos mais perigosos como o gás e o petróleo", afirma Rafael Teixeira das Neves, membro da Defesa Civil de Santo André.

Os casos de morte não são tão freqüentes, mas há registro de acidentes, por exemplo, causados por pessoas que romperam um tubo de água de alta pressão que destruiu uma casa matando seus cinco habitantes. "No Carnaval do ano passado tivemos de remover 60 pessoas de suas casas porque a Sabesp, ao fazer obras em sua rede, perfurou um cano de GLP (gás de cozinha)" conta Neves. E este é só mais um dos casos de problemas desta ordem, que segundo ele acontecem bastante em todo o Brasil. Ele completa que não há um grande perigo eminente, mas que a Defesa Civil não dispõe das informações necessárias para agir com eficiência caso algo de imprevisto aconteça.

Verificando-se o lado econômico do descontrole da rede de dutos subterrâneos é notável o quanto de prejuízo ele causa. "Entre 42 e 44% da água tratada pela Sabesp é perdida em vazamentos e outros problemas", afirma o pesquisador do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) Marcos Tadeu Pereira. Isto se deve ao fato de que esta empresa de saneamento não tem um controle preciso da vazão de água em sua tubulação. Aliás, ela é a empresa, das que operam no subsolo da metrópole, que parece ter o menor conhecimento com precisão de suas próprias instalações subterrâneas. "A própria estrutura de informática da SABESP dificulta o controle de vazão" afirma a engenheira desta companhia, Carla Tereza de Chiara.

O IPT promoveu no mês de março um encontro com representantes das empresas que têm dutos subterrâneos na região metropolitana de São Paulo para discutir o que já está sendo feito no sentido de se mapear todo o subsolo e implantar um sistema integrado para que as empresas saibam a localização das instalações das outras. A maioria das participantes do seminário declarou já ter implantado sistemas computadorizados chamados GIS (sigla que significa sistema de informações geográficas). Isso quer que elas já teriam mapeado suas próprias instalações. Mas o intercâmbio de informações entre as empresas ainda não acontece, de modo que uma não dispõe do mapeamento das outras.

O IPT pretende reunir todas as empresas para que se concretize a montagem de um centro de informação unificado para auxiliar a todas. Segundo o Instituto, o detentor maior de instalações subterrâneas na área metropolitana é a Prefeitura de São Paulo, com sua rede de drenagem. Às vezes escavações para a realização de alguma obra no subsolo dão com algum córrego que foi canalizado há até um século e ninguém mais sabia de sua existência.

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