São Paulo (AUN - USP) - Chegar ao destino desejado sem parar nenhuma vez no pedágio parece sonho? Ele pode se tornar realidade em breve. Um novo sistema de cobrança de pedágio foi avaliado a pedido do Ministério dos Transportes pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT. O objetivo deste novo sistema é fazer com que a tarifação se torne automática, ágil e prática. O IPT está atuando como um centro de referência tecnológica para a análise do equipamento que já é utilizado em países como Austrália, Japão, Estados Unidos, e grande parte da Europa. O estudo faz parte dos novos projetos do centro tecnológico na área de transportes. Para isso um novo laboratório está sendo implantado com o recurso do Governo do Estado.
"O IPT pretende se tornar o principal centro de referência tecnológica no que se refere a Sistemas Inteligentes de Transportes (STI)", disse Antônio Luiz Rigo, engenheiro responsável pelo Laboratório de Eletrônica Digital e coordenador da pesquisa. O instituto ficou encarregado de verificar a viabilidade do processo de implantação do pedágio no país. O sistema funciona por meio de antenas instaladas nos postos, que fazem a leitura e registram a passagem do carro por de aparelhos eletrônicos, "TAGs", colados no vidro do carro. A transmissão de dados é feita por ondas de rádio com freqüência na faixa de 8,5 GHz e permite que o carro seja captado em uma velocidade de até 160km/h, embora a velocidade máxima permitida seja 40km/h. Assim o motorista não tem mais necessidade de parar nas antigas cabines, tornando sua viagem mais rápida e até mais segura.
A dúvida consistia na possível incompatibilidade tecnológica entre as diferentes marcas de antenas e "TAGs". Mas como comprovado numa apresentação realizada dia no último dia 10 de agosto a interatividade entre produtos de diferentes fabricantes não apresentou problema. Representantes das empresas participantes da Comissão de Concessionárias de Rodovias do Estado de São Paulo, assim como outras autoridades e técnicos avaliaram a eficácia do produto. "Temos apenas que efetivar a ampliação da concorrência", disse Carlos Alberto Wanderley Nóbrega, presidente da Empresa Brasileira de Palnejamento de Transportes (Geipot). Isso reduziria os custos do projeto tornando-o mais viável. Há também a necessidade de se estabelecer um padrão tecnológico para todas as estradas do país, o que será conduzido pelo governo em parceria com IPT.
Segundo Nóbrega, a licitação pode sair ainda este mês pelo Ministério dos Transportes e, a partir desta data, haverá um prazo de três anos para que todas as empresas que administram as rodovias se adaptem ao padrão tecnológico estabelecido. O novo sistema tem como público alvo primeiramente as empresas que utilizam muito o transporte rodoviário, pois com ele o controle de gastos e horários é facilitado. Depois será estendido aos carros de passeio e demais veículos em todo o país. Algumas rodovias já contam com este tipo de serviço, como o projeto "Sem Parar" que já tem cerca de 70mil usuários. O valor da tarifa do pedágio é o mesmo cobrado pelo método convencional.