São Paulo (AUN - USP) - A equação é simples. Sedentarismo mais obesidade, mais hereditariedade é igual a diabetes. "Vivemos hoje uma epidemia mundial de obesidade. 50% da população está acima do peso, inclusive nas fases de pediatria e adolescência. Essa relação direta faz que as estatísticas dobrem até 2020", prevê Egídio Dórea, coordenador do Ambulatório de Doenças Metabólicas do Hospital Universitário (HU) da USP. Mais impressionante ainda é o fato de que metade das vítimas, 8% da população brasileira - 186 milhões de habitantes, segundo estimativas do IBGE, não sabe que sofre de tal doença.
Considerada hoje um caso de saúde pública, a diabetes é comumente "esperada" em pacientes na faixa de 40, 50 anos. Com os novos hábitos alimentares e comportamentos da sociedade, no entanto, os jovens têm se tornado vítimas desse mal cada vez mais cedo. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMC), cerca de 400 mil crianças com menos de 14 anos têm diabetes e, a cada ano, mais 70 mil desenvolvem a doença. De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, a doença atinge mais de 10 milhões no País.
E os riscos não são poucos. Quarta maior causa de morte no Brasil, a diabetes é também a primeira causa da amputação não traumática de membros inferiores, uma das principais de insuficiência renal dialítica e a mais freqüente da cegueira em adultos. O professor Dórea esclarece que "as principais complicações são: a retinopatia, responsável pela perda gradual da visão que pode levar à cegueira; nefropatia, que promove a perda da função dos rins até a completa falência renal, havendo necessidade de hemodiálise; neuropatia que causa perda da sensibilidade, principalmente nos membros inferiores e ferimentos, muitas vezes não percebidos pelo paciente; e a vasculopatia que pode resultar em infartos e derrames".
No último dia 14, data do nascimento de Frederick Banting, um dos primeiros cientistas a conceberem a idéia que levou à descoberta da insulina, foi "comemorado" o Dia Mundial de Controle da Diabetes. O Hospital Universitário – HU, da USP, e a equipe multidisciplinar de seu Ambulatório promoveram um evento, com palestras e atividades diversas, para 110 convidados alertando sobre os riscos da diabetes e suas complicações, que podem ser prevenidas com alimentação saudável, controle de peso e prática de exercícios. "O atendimento do nosso ambulatório é padronizado para que possa ser feito um acompanhamento correto de todos os nossos pacientes. Além de indicarmos remédios e dietas, fazemos exames de rastreamento para um controle maior", explica Dórea. O tratamento da doença inclui o controle da pressão arterial e dos lipídeos (colesterol), e medicamentos que restabelecem a secreção de insulina ou o uso da própria.
O Ambulatório em questão atende três mil pessoas, moradores da região do Butantã, sendo 30% diabéticas. Afora sua equipe, estiveram presentes no evento profissionais da Nutrição e da Oftalmologia do HU, da Escola de Educação Física da USP e do Curso de Podologia do Senac, que sortearam brindes com kits para cuidados especiais para os pés. Assim, diminui-se o risco de amputação, já que os diabéticos têm maior propensão a desenvolver úlcera na região. Esta acarreta em perda de sensibilidade que, em casos mais extremos, leva à necessidade de remoção do membro.
Fora o Hospital Universitário, há grupos de estudo da diabetes na Faculdade de Farmácia, no Instituto de Ciências Biomédicas e na Medicina da USP.