ISSN 2359-5191

18/03/2008 - Ano: 41 - Edição Nº: 05 - Saúde - Faculdade de Ciências Farmacêuticas
Baixos índices de parasitose surpreendem alunos da Jornada Científica

São Paulo (AUN - USP) - Os alunos da Jornada Científica deste ano realizaram exames nas crianças de Córrego Fundo (MG) com idades de três a cinco anos e descobriram que apenas 3% a 5% delas têm alguma parasitose. O dado surpreende em virtude das condições precárias de saneamento, alimentação e higiene da cidade. Os participantes da Jornada ainda não sabem as razões da baixa contaminação. A análise microbiológica da água realizada pelo grupo mostrou que ela não contribui para esses números, já que 50% das amostras apresentaram quantidade de coliformes fecais acima do recomendado.

Segundo Primavera Borelli, professora da USP que acompanha os alunos na Jornada, alguns resultados já eram esperados, mas ainda assim surpreenderam. Um exemplo é o número de hipertensos, que chega a 33% dos habitantes de Córrego Fundo. Primavera acredita que o grande número de idosos possa ter influenciado nesse resultado. Já dentre as crianças de três a cinco anos, 50% estão anêmicas, chegando a um índice de 80% em algumas regiões urbanas.

Os dados colhidos na Jornada deste ano serão divulgados em um relatório que pode servir de base para trabalhos acadêmicos nas áreas epidemiológica e parasitológica. A prefeitura de Córrego Fundo também receberá o relatório, ainda inacabado, mas que já esboça um mapa da saúde da cidade.

Durante quinze dias do mês de janeiro, cerca de 45 alunos se alojam em uma escola estadual para realizarem exames nos habitantes, além de ensinar-lhes noções de higiene e de hábitos alimentares, treinarem os agentes de saúde locais e analisarem os aspectos microbiológicos da água. A cidade mineira de Córrego Fundo foi a escolhida para ser assistida, a partir deste ano, pelos alunos do curso de farmácia que compõem a Jornada Científica.

Enquanto metade dos alunos realiza os exames no laboratório montado na escola, a outra equipe sai, em duplas, para fazer algumas visitas às casas onde moram crianças de três a cinco anos. Ana Carolina Hofacker dos Santos, aluna do curso de Farmácia, diz que as equipes foram muito bem recebidas. “As mães confiam, deixam a gente fazer exames nos filhos delas. A gente é referência para eles”. Natália Savino Simões Melo, aluna que participou pela primeira vez do projeto, completa: “É gratificante porque, mesmo com quatro visitas, as pessoas já te consideram da família”.

A Jornada Científica visita a mesma cidade durante quatro anos porque, segundo Primavera, os hábitos alimentares e higiênicos levam tempo para serem mudados. Além disso, existe a idéia de abordar com os habitantes o tema das drogas e da gravidez na adolescência, e alertá-los para a preservação ambiental, já que a principal renda da cidade vem da mineração, e a área de cerrado está sendo desmatada para plantar pinheiros e eucaliptos, formando os “desertos verdes”.

Considerando a definição de saúde da OMS (Organização Mundial de Saúde), que leva em conta não só o bem-estar físico, mas também o mental, Primavera sonha em ajudar os adolescentes e os idosos de Córrego Fundo a montarem grupos para desenvolver atividades como coral e teatro. “Isso é o que eu quero, mas são os alunos que organizam todo o projeto”, diz.

E, segundo a professora, mais do que a população, são os próprios alunos os maiores beneficiados com essa experiência. Trata-se de uma oportunidade de ensino, relacionamento interpessoal e vivência cultural que não são oferecidos em uma faculdade. “Eles descobrem outra realidade sócio-econômica, aprendem a trabalhar em equipe e ainda retribuem para a sociedade o ensino dado pela universidade pública”.

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