ISSN 2359-5191

05/02/2002 - Ano: 35 - Edição Nº: 02 - Saúde - Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto - USP
Abordagem mais humana do paciente é tema de projeto da Enfermagem

São Paulo (AUN - USP) - Médicos e enfermeiros ouvindo a história de vida de seus pacientes e, antes de receitar o medicamento, discutir e dar conselhos. Não se trata de uma cena comum no cotidiano conturbado dos consultórios e prontos-socorros. Muito menos se, antes de fazer a avaliação física, o paciente diz o que ele quer solucionar primeiro e participa dessa solução. Trata-se de uma realidade no projeto das professoras Angela Pierin, Eliane Correa Chaves e Cilene Ide do Departamento de Enfermagem Médico-Cirúrgico da Escola de Enfermagem da USP. É uma nova estratégia de abordagem na área da saúde, que procura valorizar a interação entre profissional e cliente.

O Plano Regional de Desenvolvimento de Estratégias Psico-Sociais para Promoção da Saúde do Adulto em Situações de Risco, como é chamado, busca capacitar profissionais das Secretarias de Saúde das prefeituras de Santo André, Mauá e São Caetano que apliquem esse novo modelo nas suas comunidades. Conta com a participação de equipes multiprofissionais (incluindo médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais das próprias secretarias), além de alunos bolsistas e voluntários.

O projeto ainda está em fase de implementação. Está sendo testado pelas professoras no ambulatório do Hospital das Clínicas. E já trouxe respostas positivas. Os clientes apresentaram um vínculo maior com o profissional, uma visão melhorada do sistema de saúde e uma postura mais madura em relação às suas atitudes. Segundo Eliane, um dos objetivos é “tornar a pessoa mais responsável e o profissional menos onipotente”, já que “o modelo de saúde atual é paternalista e o cliente, na maioria das vezes, é infantilizado”.

Mesmo assim, o comportamento dos indivíduos atendidos com a nova técnica não é satisfatório. Muitas vezes é a cultura em que vivem que os estimula a manter vícios como o cigarro e o álcool. “Muitos aspectos estão além das nossas possibilidades”, explica Eliane, que define o novo modelo como amadurecimento profissional. Para ela, é a saída da ingenuidade em afirmar que o atendimento em consultório, em si, é solucionador. O paciente pode até conhecer o tratamento. O desafio é fazê-lo mudar sua rotina em prol da própria saúde.

Eliane e Cilene afirmam que a adesão aos programas oficiais, como os de combate ao tabagismo e à hipertensão, é relativa. Eles partem de uma visão exclusivamente biológica e medicamentosa. Passando a enxergar o indivíduo também como ser social e psicológico, elas acreditam buscar uma “construção compartilhada de soluções” em que “o referencial de saúde do profissional não é prioridade”. Na prática, as questões são encaminhadas pelo cliente e o profissional identificará condições de vida e expressões de comportamento para aconselhá-lo. O indivíduo não é mais rotulado de acordo com o diagnóstico e, segundo Eliane, “o profissional é mais um consultor do que um interventor”.

A filosofia não é nova. Mas o diferencial do projeto está em viabilizá-la no modelo de promoção à saúde – e não só prevenção de doenças.

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