ISSN 2359-5191

29/03/2000 - Ano: 33 - Edição Nº: 03 - Sociedade - Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas
"Teresa" reúne intelectuais brasileiros

São Paulo (AUN - USP) - "A primeira vez que vi Teresa..." Para quem gosta de literatura talvez a frase deixe de ser só o primeiro verso do poema de Manuel Bandeira... A revista "Teresa", do núcleo de pós-graduação em Literatura Brasileira, será lançada no final de abril e chega reunindo em seu primeiro número, nomes conhecidos como Alfredo Bosi, José Miguel Wisnik, e Otavio Frias Filho, além de um ensaio inédito de Mário de Andrade e poemas de Arnaldo Antunes e Wally Salomão feitos especialmente para a edição.

A escolha do nome do periódico foi fruto de muitas discussões, tentando escapar dos nomes tradicionais, claramente relacionados à Literatura Brasileira. "Teresa", que em um primeiro momento faz referência ao poema de Bandeira, tem também um caráter arbitrário que permitirá conexões com outras temáticas. "Pretende-se que o nome seja uma ponte com os assuntos a serem tratados", afirma o professor Augusto Massi, organizador do projeto. A publicação, uma co-edição com a Editora 34, tem uma característica muito específica que merece destaque: será a primeira revista universitária a circular fora da universidade e poderá ser encontrada nas bancas e livrarias.

"Teresa" abre suas aproximadamente 200 páginas com Alfredo Bosi, professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP e reconhecido intelectual brasileiro. Em longo artigo, Bosi faz um verdadeiro tratado de História e historiografia literária, analisando diversos teóricos desde José Veríssimo até Antônio Candido, passando por Mário de Andrade, Tristão de Ataíde e Otto Maria Carpeaux. A revista, além do sempre presente ensaio de abertura, terá outras seções fixas. O entrevistado da primeira edição é o professor da Unicamp, Antônio Arnoni Prado, falando entre outros temas, da edição que organizou de toda a crítica literária de Sérgio Buarque de Holanda.

Uma das atrações desse número, entretanto, fica por conta da seção Documentos, que traz texto inédito de Mário de Andrade, o último artigo que o autor modernista escreveu e deixou para ser publicado, pouco antes de morrer. Documentos pretende ser mais que um dossiê. Reúne algo além do literário, tentando estabelecer relações da literatura com a música, a sociologia, a pintura. Gilda de Melo e Souza escreve sobre Gilberto Freyre e Mário de Andrade em páginas ilustradas com aquarelas do pintor Cícero Dias baseadas nas danças dramáticas do Nordeste como o frevo e o maracatu. A parte de ensaios traz alunos e professores falando sobre Euclides da Cunha, Machado de Assis e Cruz e Souza. "É uma seção livre mas com forte critério de qualidade" afirma Massi .

O crítico e ensaísta Décio de Almeida Prado, que morreu no dia 4 de fevereiro deste ano, é o homenageado dessa edição. Otavio Frias Filho, em resenha também originalmente escrita para "Teresa", analisa a trajetória daquele que considera o "maior crítico teatral brasileiro". "Acho que o Frias aceitou escrever o artigo por se tratar do Décio, havia uma dívida moral de geração, do novo jornalismo com o antigo", assegura Augusto Massi. Críticas dos últimos livros de Ferreira Gullar e Adélia Prado, poemas inéditos de Arnaldo Antunes, Wally Salomão e Chico Alvim, artigos de Alcides Vilaça, Luiz Roncari, José Miguel Wisnik, além de pinturas do artista plástico Paulo Monteiro ilustrando todo o número.

Segundo Massi, "Quando a Universidade passa por um momento tão difícil, uma produção desse porte pode ser encarada como uma reação a tudo isso". O grande número de intercâmbios, com poetas, pintores e intelectuais de fora dessa academia, manifesta uma preocupação no plano artístico, crítico e institucional também. Depois de seis meses de trabalho, os professores desse departamento reúnem pela primeira vez o prestígio de cada um em uma construção coletiva. E mesmo "diferenciando-se do discurso jornalístico", seguindo todas as normas de uma publicação científica, sem perder as características da produção acadêmica, há "um desejo da Universidade de se abrir e uma preocupação em se estabelecer um diálogo maior com o público", conclui o professor.

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