São Paulo (AUN - USP) - Três marcadores genéticos que avaliam o risco dos indivíduos de sofrerem doenças cardiovasculares foram descobertos pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF). "Procuramos marcadores genéticos para avaliarmos a predisposição às doenças. Alguns são muito informativos. Concluímos que se o indivíduo tiver certas características genéticas, ele terá chances maiores de desenvolver doenças", conta a professora Rosario Hirata, do Departamento de Análises Clínicas e Toxicológicas. "Centrando nossa pesquisa na análise do metabolismo dos lipídios identificamos os três marcadores que encontram alterações nos genes que codificam os receptores da LDL (da qual faz parte o colesterol). Essas alterações podem mostrar a quantidade e a qualidade dos receptores que o indivíduo tende a ter em seu sangue", explica a professora.
Um indivíduo com poucos receptores fica sujeito a mais doenças cardíacas que um com níveis normais. "Quando o colesterol excedente, que não é carregado por falta de receptores, fica por muito tempo no sangue, ele sofre alterações, acumula-se nos vasos sangüíneos e forma as placas de arteriosclerose", diz Rosario. As placas (ou "trombas") são responsáveis pelas obstruções de artérias e veias e conseqüentemente são a causa da trombose, do acidente vascular cerebral (AVC) e até do enfarto.
Os resultados da pesquisa da FCF mostram que a resposta para o problema do colesterol não está toda nos fatores de alimentação. Nem todos os indivíduos que ingerem alimentos ricos em colesterol desenvolvem doenças do coração, e o contrário também é valido. Os limites de ingestão são diferentes para cada indivíduo, por causa dos polimorfismos do receptor de LDL. "Depois que conhecemos esses polimorfismos, pudemos determinar quais as chances de cada um de desenvolver uma doença. Com esses dados, o médico pode indicar uma alimentação ideal para cada paciente, além de recomendar a prática de exercícios físicos específicos para o genótipo do indivíduo", afirma Rosario.
A pesquisa, que durou quatro anos e foi concluída no começo deste ano, foi feita em colaboração com hospitais da capital paulista, como o Hospital das Clínicas e o Instituto Dante Pazzanese. Agora, o objetivo é comparar o paciente com os tipos de tratamentos disponíveis e definir com mais precisão qual o medicamento e a dosagem ideal para cada doente. É fato que cada paciente reage de uma forma diferente a um tratamento. A professora se pergunta: "Existe alguma relação entre os fatores genéticos e a reação a uma medicação? Essa será a fase mais importante da pesquisa. Estamos dando esse passo adiante para melhorar a qualidade de vida das pessoas".