São Paulo (AUN - USP) -Muitas tabelas nutricionais usadas no Brasil não são apropriadas por diversos motivos: falta de descrição de métodos analíticos, emprego de técnicas inadequadas ou mesmo o uso de dados de tabelas de outros países, que não correspondem à realidade do Brasil. Foi por causa desse problema que o Departamento de Alimentos e Nutrição Experimental da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP criou o Projeto Integrado de Composição de Alimentos. São iniciativas colaborativas entre 27 universidades e institutos de pesquisa que visam obter informações atualizadas e precisas sobre a composição dos alimentos mais consumidos no Brasil. O projeto conta com o apoio da FAO (Organismo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação).
É um programa que reúne de maneira informal uma rede de laboratórios espalhados pelo país que desenvolvem atividades em conjunto desde 1989. O estudo abrange desde a procura das técnicas mais convenientes à realidade nacional, até a própria análise dos alimentos e validação dos resultados. Os principais estudos desenvolvidos até hoje são de metodologias para aminoácidos, Vitamina A e carotenóides, algumas vitaminas do complexo B, composição centesimal, além de ensaios do valor biológico.
A colaboração nacional e internacional é a melhor maneira de obter, a custos reduzidos, informações confiáveis sobre composição de alimentos. É por esse motivo que o projeto da Tabela Nacional de Composição de alimentos insere-se em projetos maiores de análise e compartilhamento de dados sobre alimentos: a BRASILFOODS (de caráter nacional), a LATINFOODS (na América Latina) e a INFOODS (de caráter mundial).
O Banco de Dados com as informações atualizadas constantemente está disponível no site da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP: www.fcf.usp.br/tabela. No endereço é possível obter informações detalhadas sobre os nutrientes disponíveis em alimentos triviais como o arroz branco cozido, passando por pratos festivos como a feijoada brasileira, até em industrializados conhecidos e amplamente consumidos no Brasil como o “Leite Moça” e a “Farofa Yoki”. Todas as tabelas contam com as respectivas referências bibliográficas de pesquisa, para um estudo mais aprofundado.
Entre as 27 instituições que contribuem para o projeto estão 13 Universidades Federais, quatro estaduais, além de órgãos do governo e centros de pesquisa renomados como a Embrapa e o Instituto Adolf Lutz.
Com informações do www.fcf.usp.br/tabela e da Professora Elisabete Wenzel, vice-coordenadora do projeto.