ISSN 2359-5191

11/12/2008 - Ano: 41 - Edição Nº: 143 - Sociedade - Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto - USP
Filmes blockbusters repetem estereótipos da enfermagem
Grupo da Escola de Enfermagem (EE-USP) analisa enfermeiras de Pearl Harbor (2001)

São Paulo (AUN - USP) - Belas moças joviais, vestidas de branco, seringa na mão e gestos bruscos. Essa é a figura retratada no filme do diretor Michael Bay (Transformers, 2007), diante de uma platéia na Escola de Enfermagem da USP (EE-USP). As principais críticas apresentadas apões a sessão se basearam na provável carência de pesquisa histórica - não só no caso das enfermeiras, os radares usados no filme ainda não existiam na época, por exemplo – em um filme milionário.

A exibição e o debate foram organizados pela coordenadora do curso de História da Enfermagem, a professora Taka Oguisso. Durante o ano também foram debatidos filmes como Fale com ela (2002), O Homem Elefante (1980) e Um Estranho no Ninho (1975). O Ciclo de debates "Análise Histórico-social das representações da enfermagem no cinema" continuará ano que vem. E no dia oito e nove de dezembro, por ocasião do centenário da Cruz Vermelha Brasileira, acontecerá o I Colóquio da história da enfermagem.

Pearl Harbor foi escolhido para debater o tipo enfermeira de guerra, e como um blockbuster se preocupa com essa caracterização. A opinião consensual dos presentes foi a de que, mesmo com todo o recurso disponibilizado para essa filmagem, não houve o cuidado de se representar adequadamente um grupo de enfermeiras da marinha americana na época da segunda guerra. Tiago Braga, doutorando em história da enfermagem pela EE-USP, apontou os cabelos soltos e a motivação das personagens em entrarem na marinha para conhecerem homens, de modo que sua finalidade como profissionais fosse o entretenimento masculino, e não uma oportunidade de ascensão social e educacional, como aconteceu fora das telas.

O trabalho realizado pelo elenco encabeçado pela atriz Kate Beckinsale (a enfermeira Evelyn, que faz par romântico com os personagens de Ben Affleck e Josh Hartnett) se limita quase à aplicação de vacinas, de forma brutal e/ou com fins outros que não o de saúde dos militares. E sempre com uniformes (vestidos) brancos que não fazem sentido fora da cruz vermelha, segundo o doutorando, igualmente o uso indiscriminado do símbolo do órgão internacional.

"A primeira parte do filme mostra uma imagem jocosa e servil das enfermeiras", sentencia Tiago. Da platéia, questionaram a escolha desse filme se há outros mais paralelos com a realidade, inclusive documentários. A escolha desse filme não foi por falta de opções, chegaram à conclusão. Mesmo que não seja sobre enfermagem especificamente, por ser campeão de bilheterias e tão acessível, fez e vai fazer parte do time que alimenta o imaginário popular. É uma alimentação da figura muitas vezes relacionada a sensualidade e subserviência de cargos mais elevados dentro de um hospital.

Concluiu-se que existe uma mística em torno da enfermagem, e ela se manifesta por exemplo nas insistentes roupas brancas e cabelos presos ou curtos - hábito que as médicas abandonaram. A origem pré-profissional do cuidado, de raízes religiosas muitas vezes, pode ter a ver. Por causa disso, a vocação da enfermagem é confundida com caráter, e isso impede os profissionais de valorarem o custo de seu trabalho, apontou um enfermeiro presente. Quanto custa ajudar outro ser humano?

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