São Paulo (AUN - USP) - O Hospital Universitário da USP está oferecendo curso gratuito sobre curativo a vácuo. As inscrições, pelo site do HU, são gratuitas e abertas. Quem ministra o curso é Fábio Kamamoto, cirurgião do hospital e um dos inventores da técnica. A economia para pacientes tratados deve ser de R$ 4 mil por semana. As três horas de aulas, às sextas-feiras, incluem aprendizado teórico e prático nas instalações do HU.
Profissionais e estudantes de saúde, em especial da área de enfermagem, participam a fim de conhecer a técnica. Luiz Cezario veio de Foz do Iguaçu - PR para participar da aula. Graduado em Enfermagem, trabalha no Hospital Ministro Costa Cavalcanti e diz atender, pelo menos, cinco casos ao dia com feridas complexas. “Utilizamos métodos convencionais e, por isso, leva muito tempo para curar”, diz.
Há expectativa em se utilizar o aprendido no curso. Maria Amélia Aguilar Perez, enfermeira do Hospital Municipal de Diadema, não conhecia curativos em que se aplica baixa pressão. “Faremos de tudo para utilizar o método a vácuo”, diz. Segundo Maria Amélia, o hospital em que trabalha atende casos que demandariam esse tratamento todos os dias. “E o grande atrativo é o baixo custo”, ressalta.
Diversos pacientes têm casos de feridas complexas, devido a uma enfermidade. Diabéticos são um exemplo, mas pessoas com varizes e úlceras por pressão também demandam atenção às feridas expostas. Junto deles estão os acidentados no trânsito e com queimaduras.
O princípio de se aplicar pressão negativa com a sucção da área da ferida já é comercializado, contudo a um preço alto. O custo do uso do Vacuum-assisted Closure (VAC) gira em torno de R$ 4 mil por semana. O Sistema Único de Saúde (SUS) não banca o aparato necessário, composto por bomba elétrica de sucção, esponja e coletor de secreção específicos e patenteados.
A alternativa desenvolvida na USP é barata porque utiliza materiais já presentes no dia a dia da área da saúde. O custo é de, aproximadamente, 30 reais por curativo, ou dois dias. São utilizados uma esponja hospitalar esterilizada, uma sonda, um filme adesivo tipo “Ioban” e uma válvula de controle de pressão. Esse sistema é ligado à linha de vácuo, “que todo hospital tem”, segundo Fábio.
Um dispositivo, porém, é necessário para regular a pressão dessa linha de vácuo, que apresenta oscilações ao longo do dia. Para isso, Fábio Kamamoto desenvolveu uma válvula junto do professor José Carlos Teixeira de Barros Moraes, do Laboratório de Engenharia Biomédica (LEB) da Escola Politécnica da USP. Por enquanto, ela não é comercializada, já que está em processo de patente e registro. Segundo o médico, no segundo semestre a válvula de controle de pressão já deverá ser comercializada, por R$ 1.500 a R$ 2.000 (em estimativa).
A utilização da pressão negativa, consequência do uso do vácuo, acelera o processo de cura da ferida. A quantidade de bactérias diminui, há maior vascularização da região e as células crescem mais rápido. Além disso, as bordas da ferida se contraem, colaborando para o processo. A técnica promete redução do trabalho de enfermagem.