São Paulo (AUN - USP) - Médicos do Hospital Universitário (HU) da USP criaram bonecos com custo de até R$ 350 para simulação de situações de risco. Similares comercializados industrialmente custam até US$ 100 mil. Há três anos, Edson Yassushi Ussami e José Pinhata Otoch, também docentes da Faculdade de Medicina (FMUSP) ensinam alunos do sexto ano através dos simuladores os procedimentos chamados invasivos.
Os simuladores são utilizados para se reduzir o risco de aprendizado direto em pacientes. Segundo Pinhata, que é diretor da Divisão da Clínica Cirúrgica do hospital, é essencial disponibilizá-los. “Há uma necessidade de não se permitir um primeiro contato do estudante ou médico no paciente”, diz. Esse contato é realizado, então, no simulador. Exemplos de procedimentos invasivos são drenagem torácica, acesso venoso central e tratamento de hérnias.
A grande diferença entre simuladores industriais e alternativos, como o desenvolvido no HU, está na tecnologia instalada. Segundo Pinhata, os bonecos confeccionados de forma caseira são, apesar de mais simples, a única alternativa. “Hospitais como Einstein e Sírio-Libanês têm bonecos de simulação profissional para treinamento. Já o hospital público não tem o mesmo dinheiro”, diz.
Além do preço das aquisições, que podem girar de R$ 60 mil a R$ 250 mil, há o custo de manutenção do simulador e a limitação que o próprio valor impõe. Para Ussami, um boneco com preço muito alto não é utilizado por todos os alunos, já que não há tempo para se revezarem todos. “Já com um boneco ‘caseiro’, todo mundo pode aprender”, afirma.
Os bonecos já foram apresentados dois anos consecutivos no Congresso Anual de Educação Médica (Cobem), referência em ensino de Medicina. Segundo Ussami, há planos para apresentá-los junto com as técnicas de confecção esse ano. “Fui convidado para conversar sobre uma possível participação no Congresso, mas ainda não tenho certeza sobre o assunto”, diz.
Os materiais utilizados, como manequins de loja e espuma de colchão, são acessíveis e têm sido experimentados constantemente. Edson Ussami diz que há cerca de 5 anos tenta, na sua casa, diferentes combinações químicas para obter melhores resultados. “Você está lá, experimentando, não faz ideia do tamanho que [uma mistura] vai ficar. De repente, sua cozinha fica inteira suja de espuma”, conta, rindo. “Mas é só com o erro que se aprende”.