São Paulo (AUN - USP) - A escritora Lygia Fagundes Telles, o músico Gilberto Mendes e o dramaturgo Gianfrancesco Guarnieri foram alguns dos convidados do “4o encontro de profissionais de comunicação que atuam em empresas”, promovido recentemente pelo Laboratório Integrado de Marketing e Cultura (Limc) da Escola de Comunicações e Artes (ECA-USP). Junto a histórias apaixonadas de trajetórias artísticas, foram discutidos temas polêmicos como o apoio cultural e o acesso das empresas à mídia.
Conduzido pelo professor Luís Milanesi, o evento reuniu dezenas de empresas de renome e funcionou como um fórum de discussão sobre as dificuldades dos empresários em divulgarem suas iniciativas culturais.
Uma das principais reclamações dos empresários foi a falta de formação cultural do jornalista da grande imprensa. Segundo Ricardo Hernandez, jornalista e diretor do departamento comercial da General Motors “o jornalista tem dificuldade de avaliar a importância de iniciativas de apoio cultural e acaba subestimando temas importantes por medo de se envolver com o que não conhece”, afirma.
Ricardo Silva, diretor de marketing da Anatel, ilustrou as afirmações de Hernandez ao expor as dificuldades que encontra na divulgação de seu projeto cultural que consiste em um investimento de R$ 300 mil em gravuras produzidas por artistas de vanguarda e distribuídas em cidades do Brasil. “Muitos jornalistas revelaram completa ignorância sobre o assunto, pediram explicações sobre o que eram gravuras, uma arte típica e tradicional do nosso país”, desabafa.
O panorama cultural brasileiro traçado pelos três artistas, referências em cada uma de suas áreas, ilustrou as dificuldades dos artistas. Eles alertaram para a falta de reconhecimento do produto cultural de qualidade no Brasil e para a necessidade social de resgatar os valores artísticos. “É triste que um músico não possa viver só de sua arte”, lamenta Gilberto Mendes, que até os 53 anos trabalhou paralelamente como bancário e funcionário público para sustentar suas composições de música erudita, nicho musical praticamente ignorado pela mídia, segundo ele, “desinformada”.
Guarnieri criticou severamente o que ele chamou de “falta de política cultural voltada para a nossa gente”. Apresentou, apoiado pela escritora, uma visão preocupada com as dificuldades artísticas, e apontou a parceria privada como uma boa solução, com ressalvas. “É importante que esse apoio não se resuma a financiamentos de obras, e funcione como criador de infra-estrutura para novas criações”, alerta.