ISSN 2359-5191

12/04/2000 - Ano: 33 - Edição Nº: 04 - Saúde - Faculdade de Ciências Farmacêuticas
Farmácia relaciona zinco a doenças crônicas

São Paulo (AUN - USP) - O zinco é um fator importante na obesidade, na diabetes e também na insuficiência renal crônica. A relação entre o mineral e essas doenças, além de facilitar o diagnóstico, pode ajudar os cientistas a criar novos medicamentos. É o que concluem pesquisas do Departamento de Alimentos e Nutrição Experimental coordenadas pela professora Sílvia Cozzolino, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas.

Os pacientes obesos estudados pelos pesquisadores apresentaram níveis de zinco inferiores ao normal no plasma e nos eritrócitos (células vermelhas do sangue) e quantidade maior que o esperado na urina. “O zinco está envolvido com mais de 200 enzimas, além de fatores de transcrição dos genes. Existe uma deficiência na distribuição desse mineral pelo corpo e esse desbalanceamento está comprometendo o estado nutricional”, afirma a professora Sílvia.

A pesquisa com obesos partiu de um estudo anterior que encontrava os mesmos sintomas nos diabéticos. “Esses pacientes têm em comum o problema de mal distribuição do metal. Essa descoberta é um grande avanço no tratamento da diabetes porque o médico, na maioria das vezes, não está preocupado com os micronutrientes, mas sim em avaliar se o paciente está mantendo uma glicemia normal. Agora, se um médico chegar à conclusão que existe uma deficiência do mineral no doente, ele terá como encontrar a solução”, conclui Sílvia. Além dessa semelhança, o laboratório pretende explicar por que os obesos tendem a resistir à insulina, desenvolvendo, eventualmente, diabetes.

De acordo com um trabalho publicado no final do ano passado, a insuficiência renal crônica também está relacionada ao zinco. A pesquisadora conta que foi encontrado um nível baixo do metal no plasma de pessoas com essa deficiência, mas que o nível nos eritrócitos estava acima do normal. Uma das hipóteses é que o metal ocupe o lugar do ferro nas hemácias, pois o paciente que espera a hemodiálise precisa se submeter a uma dieta que é deficitária nesse nutriente. Para Sílvia, “No futuro, poderemos indicar remédios com ferro para os pacientes com insuficiência renal, acabando com a anemia e voltando os níveis normais de zinco. Além disso, diminuímos o risco dos pacientes terem problemas cardiovasculares, já que a falta da substância em membranas arteriais é causa de arteriosclerose”.

Dilina dos Santos Marreiro, orientanda da professora Sílvia que trabalhou com crianças e jovens obesas, explica que as pesquisas ainda estão caminhando para conclusões mais concretas. “O que conseguimos até agora não é suficiente para fazer um medicamento. Talvez nem cheguemos a esse ponto, porque o zinco é apenas uma peça de um quebra-cabeças”. Mesmo assim, Dilina acredita que essa peça é importante, tanto que está pesquisando, em sua tese de doutorado, a possibilidade de um suplemento de zinco ser eficaz no tratamento contra a obesidade.

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