ISSN 2359-5191

12/04/2000 - Ano: 33 - Edição Nº: 04 - Saúde - Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto - USP
Parentes e amigos podem ajudar no tratamento da tuberculose

São Paulo (AUN - USP) - O que faz com que um doente com tuberculose pulmonar leve adiante seu tratamento? A resposta, segundo pesquisa desenvolvida pela professora Maria Rita Bertolozzi, da Escola de Enfermagem da USP, está na necessidade da presença e do estímulo de profissionais de saúde e de parceiros (familiares ou amigos) na busca da cura, além do fato de elas compreenderem a doença e seu tratamento. “Tem muita gente que se sente mal e não procura o médico porque acha que é uma simples gripe e vai passar logo”, conta a pesquisadora.

Para desenvolver sua pesquisa, Maria Rita conversou, no período de um ano, com 18 pessoas de idades entre 16 e 70 anos, residentes em locais distintos de São Paulo, que conseguiram se curar da tuberculose. “Meu objetivo era saber o que as diferenciava dos outros. O que eu descobri é que eles só precisavam do apoio daqueles à sua volta, inclusive dos profissionais de saúde”, esclarece a professora.

Essa pesquisa caminha em sentido oposto às pesquisas atuais nessa área. “A maioria dos trabalhos realizados nesse setor explica porque o paciente abandona o tratamento. Eu quis saber o contrário”, explica Bertolozzi. “Principalmente agora que a doença está voltando, é importante sabermos como proceder para sua eliminação”, continua. De acordo com o último relatório sobre tuberculose da Organização Mundial de Saúde, divulgado em 1996, 3 milhões de pessoas morrem anualmente dessa doença.

O tratamento da tuberculose exige muita disciplina e força de vontade, mas garante quase 100% de eficácia e é gratuito, pois os medicamentos são fornecidos pelo governo. Não há necessidade de internação. “O problema”, argumenta a professora, “é que nos 15 primeiros dias de tratamento, o paciente percebe uma grande melhora e se sente curado e o abandona, ou então, aqueles que continuam por mais tempo acabam por deixá-lo devido aos efeitos colaterais dos medicamentos”. Como conseqüência, temos a criação de bactérias cada vez mais resistentes, o que exige um tratamento mais oneroso e difícil.

A vacina BCG é um grande aliado na luta pelo controle da tuberculose, mas, de acordo com Bertolozzi, ela só é eficaz em 80% dos indivíduos. “Todos nós já tivemos contato com a doença”, explica a professora, “mas somos imunes a ela”. Só desenvolvem a doença os 20% não imunizados pela vacina e os que apresentam uma baixa resistência orgânica, como aqueles que vivem em condições sociais precárias e os que são HIV positivos. De acordo com a Unicef, o Brasil registrou 84.194 casos de tuberculose só em 1998.

Tanto a identificação da doença como sua transmissão são fáceis, mas falta informação sobre ela, principalmente entre a população de baixa renda. Nesse sentido, deve ser ampliada a atuação do profissional de saúde, que deve ser capaz de chegar a essas pessoas. “Se a gente quiser acabar com a doença, o serviço de saúde deve trabalhar de forma diferente”, conclui a professora.

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