ISSN 2359-5191

07/04/2010 - Ano: 43 - Edição Nº: 02 - Saúde - Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto - USP
Perdas e luto são discutidos em Encontro na Enfermagem

São Paulo (AUN - USP) - A discussão sobre o impacto da morte na família e as implicações de decisões em momentos chave de vida e morte, nos dois últimos anos, levou os profissionais da saúde a refletirem sobre si mesmos. Com o tema “A Equipe de Saúde Diante da Morte: Desafios e Oportunidades”, o terceiro Encontro do Nippel (Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa em Perdas e Luto) contou com palestras sobre linguagem corporal, bioética, musicoterapia, entre outros, e aconteceu nos dias 26 e 27 de março.

O simpósio reúne anualmente enfermeiros, psicólogos, médicos para tratar da temática da morte e do luto. O enfoque é sempre diferente: em 2008, discutiu-se a morte ao longo do ciclo vital; em 2009, decisões e cuidados no final da vida. 2010 ficou responsável por tratar dos próprios profissionais. "Esse tema foi uma solicitação dos participantes do ano passado. Eles queriam que falássemos deles – de quem cuida, de como é lidar com a realidade da morte, como se cuidar", explica Regina Szylit, coordenadora do evento e líder do Núcleo.

A enfermeira Daniele Carlin, formada pela Escola de Enfermagem (EE) da USP, participou do primeiro e do segundo encontro. Interessada pelo tema, fez uma optativa que tratava sobre ele. Na mesma época, ocorreu o primeiro simpósio, do qual participou. No segundo, tornou-se monitora e em seguida juntou-se ao Nippel. Daniele conta que o choque da vida com a morte é muito grande para quem atua na área da saúde. “A gente espera um ambiente em que só se conviva com a vida, a cura. É difícil lidar com a morte sem criar um escudo ou sofrer demais todos os dias. Ouvir a experiência de outras pessoas é enriquecedor, nos ajuda a preservar o lado humano e, ao mesmo tempo, dormir à noite.”

Foi justamente por ser esse um assunto tão complicado com que se lidar que a professora Regina criou o Nippel em 2007. Ela já havia trabalhado em UTIs pediátricas, em uma época na qual os pais do paciente não podiam ficar com ele dentro da Unidade. Eles ficavam esperando, separados do filho, sempre prevendo o melhor. “Não há modo fácil de dizer que a criança faleceu, nem de aceitar isso. Comecei a me preocupar com eles, de como ajudá-los a passar por essa situação.” Anos depois, ela entrou no grupo de pesquisa de enfermagem da família. As pesquisas em torno da temática do luto foram surgindo e, em 2007, já não cabiam dentro daquele primeiro grupo, surgindo assim o Nippel.

Para levar à sociedade algo do que era desenvolvido pelos alunos e pesquisadores do Núcleo, organizou-se o simpósio inicial em 2008. Regina escolheu o primeiro tema. O seguinte surgiu de um trabalho maior que estava sendo realizado pelo Nippel, sobre a experiência da mãe com filho natimorto – tema até então não muito tratado no Brasil. “Surgiu daí a questão da morte digna: até onde a enfermeira deve ir? Quando os esforços são suficientes?” Regina aponta que o conceito de morte digna está entrelaçado a crenças e valores pessoais, complicando a tomada de decisão por parte de médicos e enfermeiras.

Daniele considera essa mudança de temática, ano a ano, uma das coisas mais interessantes do evento, além de os assuntos refletirem as necessidades dos profissionais. “É difícil lidar com perdas; compartilhar experiências, ouvir e falar, poder viver o luto, tudo isso é muito reconfortante.”

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