São Paulo (AUN - USP) - – Fundamentos da lingüística desenvolvidos por Jonh R. Firth poderiam ser utilizados para facilitar a aprendizagem do espanhol. É isso o que afirma a professora Maria Vitória Rébori, do Departamento de Letras Modernas da Universidade de São Paulo, uma das organizadoras do "Encontro de lingüistas: epistemologia da linguística, problemas e métodos".
Segundo Maria Vitória, que estudou a obra do pesquisador inglês, Firth desenvolve conceitos de prosódia (relacionado ao som) e pragmatismo (relacionados ao significado) que poderiam fornecem bases para a melhor compreensão das diferenças entre dois idiomas. Tal entendimento, já aplicado na Inglaterra na aprendizagem de línguas exóticas, poderia ser usado, agora, no ensino do espanhol para brasileiros.
A professora explica que o problema no ensino dessa língua é que os alunos chegam à sala de aula achando que sabem falar, já que o português e o espanhol são muito semelhantes. Com isso, ao começar a ensinar, o professor tem de destruir todo o conhecimento do aluno e partir do zero, o que frequentemente faz com que os alunos "travem" na hora de falar. "Se fosse exposto com mais clareza em que ponto as duas línguas divergem, poderiamos evitar desperdícios e facilitar a aprendizagem", afirma.
Esse foi um dos assuntos discutidos no encontro de lingüistas, ocorrido dia 23 de abril no IEA (Instituto de Estudos Avançados). Na ocasião, pesquisadores que atuam em todo o país reuniram-se para trocar experiências e discutir temas relativos à lingüística. Buscaram levantar questões sobre como foi produzido o conhecimento da tradição linguística (historiografia), aonde esse conhecimento chegou até o momento, e de que modo é possível avançar.
Três mesas foram organizadas. A pesquisa de Maria Vitória foi exposta na segunda delas –Estudos de Casos/Escolas e Doutrinas– juntamente com os estudos do professor Fabio Luiz Lopes da UFSC. Na primeira –Unidade e Diversidade– discutiu-se problemas relacionados à metodologia de estudo e à compatibilização de teorias. Já na última –Normatividade e Empiria– debateu-se a elaboração de uma gramática falada, que identificasse e incorporasse mecanismos da tradição oral. Abordou-se, assim, um assuntomuito freqüente entre os lingüistas: a conciliação entre o trabalho com a gramática e com a língua falada, "que não deve reservar à última uma análise preconceituosa", adverte a professora.