ISSN 2359-5191

09/07/2012 - Ano: 45 - Edição Nº: 65 - Ciência e Tecnologia - Instituto de Pesquisas Tecnológicas
Engenharia do vento auxilia melhoras na construção civil e plataformas de petróleo

São Paulo (AUN - USP) - Para criar uma estrutura resistente e garantir um ambiente confortável é necessário analisar todas as influências que possam atingir um prédio, uma ponte ou um barco. A engenharia do vento estuda as alterações que essa força da natureza pode causar.

O pesquisador Gilder Nader, do Centro de Metrologia de Fluidos, trabalha no túnel de vento, aparelho do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) que simula correntes de ar, analisando o que acontece com as estruturas e ambientes quando submetidos à força do vento.

Um dos trabalhos mais completos que o Centro realiza é na área naval. Os pesquisadores fazem a análise em modelos de plataformas de petróleo para a Petrobras quanto ao conforto para o ser humano, cuidando que a temperatura esteja correta e não haja acúmulo de poluentes produzidos no local.

Dependendo dos dados obtidos, os engenheiros de projeto deverão remanejar os alojamentos para os trabalhadores que irão residir na plataforma, a fim de que eles não fiquem em áreas sem a ventilação necessária para seu conforto e segurança.

Se houver um guindaste no projeto, será feita uma análise da posição dele e sua altura em relação à direção e velocidade limites de vento que ele aguenta sem inclinar. Será avaliado a posição da estrutura no projeto e suas condições de funcionamento. E, é claro, a atuação do vento em conjunto com as ondas na estrutura toda.

O heliporto é uma parte indispensável no projeto da plataforma e a engenharia do vento influencia muito no seu posicionamento. Dependendo da velocidade, o helicóptero terá muita turbulência e ficará difícil pousar. “Uma plataforma de petróleo é uma indústria, tem todo um sistema e ela tem que produzir energia. Então ela tem turbinas que saem gases a 450º. Esses gases podem vir em direção ao heliponto. Ela forma uma pluma e se dispersa, vemos como e em qual temperatura esse gás chega ali, pois se estiver acima um tanto da temperatura ambiente, não pode pousar”, explica Nader. Após a análise, eles dão os resultados para os responsáveis pelo projeto, que farão as mudanças necessárias.

Outra vertente de trabalho é a da construção civil. Em cidades como São Paulo, em que os prédios têm mais de 40 andares, precisa-se garantir o comportamento sob a influência do vento típico da região que será feita a obra. A ação do vento pode causar rachaduras, trincas, vibrações, problemas nos vidros e dobradiças. Vários prédios postos lado a lado canalizam o vento de forma que áreas de lazer tornam-se inutilizáveis, dado o grande desconforto causado. Nem é preciso muito tempo de exposição. Nader cita o caso clássico da ponte de Tacoma, nos Estados Unidos. Em novembro de 1940, a ponte caiu depois de quatro meses que havia sido concluída. Vídeos na internet mostram como a ponte vibrava, sua estrutura central torcendo e ondulando como se fosse de borracha, e não de metal e concreto.

Os estádios da Copa que será realizada no Brasil também passam pelos experimentos do engenheiro. Estão sendo feitas análises do conforto, dissipação de temperatura e circulação de ar nas maquetes prontas de cada estádio de acordo com as condições de cada cidade. Muitos estrangeiros não estão acostumados ao clima brasileiro e os jogos serão em cidades em que temperatura e umidade diferem muito. Querem garantir que não há nenhum erro nos projetos que causem maiores transtornos para a plateia.

E em dezembro, acontecerá na Argentina o Segundo Congresso Latino-Americano de Engenharia do Vento, lá serão debatidos diversos avanços nos estudos desta área. A ideia é ampliar mais ainda os estudos na América do Sul e trocar informações. Uma parte de pesquisa que pode ser trazida para o Brasil são os ensaios aplicados na agricultura já desenvolvidos pela Argentina e Uruguai.

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