ISSN 2359-5191

14/07/2012 - Ano: 45 - Edição Nº: 70 - Arte e Cultura - Escola de Comunicações e Artes
Evento discute perspectivas sobre o estudo do canto na universidade
Evento contou com professores do curso de música e da Universidade de Florida State

São Paulo (AUN - USP) - A mesa redonda O Canto no Ensino Superior, realizada recentemente no Departamento de Música da Escola de Comunicações e Artes da USP (ECA), discutiu o lugar do artista, em especial o cantor, na universidade, elencando perspectivas para a atuação deste na suas múltiplas funções de aluno, professor e pesquisador. Participaram do evento a professora Marcía Porter da Florida State University e os professores Ricardo Ballestero e Marco Antonio da Silva Ramos do Departamento de Música da ECA.

A discussão se centrou em três questões principais a respeito do tema: a trajetória da formação dos cantores profissionais e de futuros professores de canto, a conciliação entre teoria e prática no estudo, ensino e, fundamentalmente, na pesquisa do canto e, por último, a importância do intercâmbio e convivência com artistas e professores de outros países. Marcía focou-se mais no primeiro aspecto do debate, transmitindo parte da sua experiência de formação pessoal como artista e professora, na qual ressaltou a importância da sua formação acadêmica (é doutora pela Universidade de Chicago), mas, principalmente da sua experiência profissional em coros e recitais. Além disso, enfatizou também o papel de sua constante atualização e movimentação como artista e não só professora, inspirando seus alunos e complementando as experiências de sala de aula.

Esse duplo papel do artista como professor e musicista aliado também à sua faceta de pesquisador foi o tema explorado pelo professor Ricardo Ballestero na sua exposição. Para ele, atualmente na academia brasileira, dá-se um espaço muito pequeno para o artista e para a atividade prática, em detrimento de uma supervalorização da análise teórica. Na sua concepção, a universidade deveria ser também um espaço para cultivar as competências artísticas tanto de alunos quanto dos professores, o que não acontece hoje em dia já que tal tipo de atividade não é sempre considerada como pesquisa. Tal visão também se distancia do modelo de conservatórios, tradicional no exterior, no qual a ênfase se dá na prática e reprodução de grandes obras, não havendo, portanto, muito espaço para a produção própria e formando, assim, instrumentistas e não músicos com veia artística e habilidade para composição. Marcía seria um bom exemplo do modelo sugerido por Ricardo: bolsista da comissão Fulbright, ela passou este último semestre no Brasil fazendo apresentações que são gravadas e trabalhadas como projeto de pesquisa. Além disso, no seu tempo aqui, esta aprimorando seu repertório de canções afro-brasileira e afro-americanas que será trabalhado com seus alunos quando esta voltar aos EUA, unindo assim suas facetas de artista, pesquisadora e professora.

Por último, o professor Marco Antonio da Silva Ramos, na sua perspectiva de diretor da Comissão de Cooperação Internacional da ECA, comentou sobre a importância do intercâmbio com artistas estrangeiros. Para ele, isso é fundamental em todos os países, uma vez que cantar músicas de outros idiomas, ao exigir um conhecimento destes em suas várias perspectivas (significados, sintaxe, fonética...), fica mais fácil ao conviver com falantes de tais línguas. Porém, no caso do Brasil tal necessidade de troca é ainda maior, tendo em vista a pequena expressão de falantes do português internacionalmente, fazendo com que uma difusão do idioma através de trocas com outros falantes seja fundamental para propagar e consolidar o repertório musical nacional.

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