ISSN 2359-5191

01/12/2004 - Ano: 37 - Edição Nº: 21 - Sociedade - Escola de Comunicações e Artes
Papel da Gazeta na emancipação da mulher é reconhecido
Vespertino dos anos 30 é sujeito e alvo das transformações no papel da brasileira no século XX

São Paulo (AUN - USP) - A influência mútua entre o comportamento feminino e a imprensa nas décadas 30 e 40 foi o objeto de pesquisa da professora Gisely Hime em sua tese de doutorado. Foi durante o estudo da vida do jornalista Cásper Líbero que a ex-aluna da Escola de Comunicações e Artes da USP (ECA) percebeu a ligação entre a produção editorial da Gazeta e alguns fatos que marcaram a história da mulher brasileira. A decisão de aprofundar-se no tema resultou no trabalho “Página Feminina: O Ponto de Encontro da Mulher Moderna”.

Foi na primeira metade do século XX que a mulher brasileira passou por mudanças comportamentais que alteraram substancialmente seu papel na sociedade. O mercado de trabalho começou encará-la de forma diferente. Sua maneira de se relacionar com o espaço público também foi alterada (começaram a sair de suas casas, freqüentar cinemas). E também foi o período em que conquistaram o direito ao voto.

Segundo o estudo de Gisely, todas essas transformações foram influenciadas pela cobertura feminina que a Gazeta adotou no período. Comprado por Cásper Líbero em 1918, o jornal vivenciou uma mudança que atenderia aos anseios do novo dono: “modernizar o jornalismo brasileiro”. Se antes o jornal era algo exclusivamente voltado para o público masculino, agora o vespertino adotaria uma visão modernizadora de ampliação de seu público alvo.

Já havia folhetins nos jornais, mas se restringia a isso o atrativo para o público feminino. A Gazeta inova e é a primeira a lançar um caderno exclusivamente feminino, intitulado “A Senhora”. Além de assuntos já corriqueiros do dia-a-dia da maioria das mulheres, como moda, beleza e artesanato, havia algumas reportagens inovadoras que abordavam temas ousados. As matérias sobre a saúde da mulher, os esportes e de comportamento em geral, foram passos fundamentais para a recolocação da mulher no espaço social.

Algumas posições literalmente encampadas pela Gazeta não conseguiram êxito momentâneo, mas o tempo tratou de mostrar que dali se indicava a direção certa. Uma delas se refere à educação sexual nas escolas, por exemplo. Outras que se concretizaram mais rápido, como o direito ao voto, mostraram como muitas vezes as próprias mulheres não se sentiam bem com os novos valores. Foi preciso que as associações femininas da época incentivassem e convencessem a maioria das mulheres a irem tirar o título de eleitora, pois muitas não o faziam mesmo sabendo do direito conquistado.

O jornal sempre apoiava essas causas inovadoras e também se destacava pela capacidade de autopromoção. A idéia de agregar o voto do concurso de Miss às folhas do jornal foi fundamental para a divulgação da nova sessão do jornal que se dedicava à mulher. Assim como a criação da corrida de São Silvestre movimentou o também pioneiro caderno de esportes.

Todo esse cenário é ilustrado detalhadamente, com analogias e descrições, no trabalho de Gisely. No fim da leitura entende-se porque da Gazeta ter sido considerado o jornal mais moderno da América Latina na década de 30, seja por sua postura editorial, seja pela visão de mercado até então inexistente nos veículos de comunicação.

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