ISSN 2359-5191

30/09/2013 - Ano: 46 - Edição Nº: 73 - Meio Ambiente - Instituto de Pesquisas Tecnológicas
Políticas sustentáveis reduzem gastos financeiros

É possível reduzir em 30% o consumo de energia mundial usando apenas tecnologias já existentes no mercado. É o que afirma pesquisa do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS). De acordo com Marcelo Vespoli Takaoka, presidente do CBCS, a redução corresponde a U$ 1,6 trilhões.

A proposta foi apresentada no 1° Fórum Executivo de Inovação IPT- Grace, ocorrido no dia 27 de agosto, no campus do Instituto de Pesquisas Tecnológicas, com a presença de representantes da indústria, academia e governo estadual e federal. O fórum discutiu os desafios da inovação no setor da construção civil, tendo como temas principais a sustentabilidade, políticas públicas habitacionais, pré-sal e perspectivas tecnológicas do setor.

Para o presidente do CBCS, as ações tomadas visando à sustentabilidade devem contemplar a questão do espaço urbano, das habitações de interesse social, de transporte, logística, saneamento básico, telecomunicações e conscientização, seguida de educação, da sociedade. “No setor da construção civil, trabalhar a sustentabilidade é trabalhar eficiência e qualidade”, completa. Para ele, as ações precisam separar o que é estritamente técnico do que é social, porque a sociedade possui uma complexidade muito maior do que a análise técnica.

“Há um estudo de Amory Lovins, do Rocky Mountain Institute, que amplia esta análise para fora do setor da construção civil, e que aponta para uma economia de energia mundial da ordem de US$ 3,8 trilhões com o uso da tecnologia”, completa Marcelo Takaoka. A diferença nos resultados das pesquisas consiste nas tecnologias utilizadas, enquanto Amory Lovins faz um estudo pensando nas de ponta, Marcelo Takaoka, por sua vez, baseia-se nas já existentes.

Os resultados apontam que habitação de melhor qualidade traz maior aproveitamento escolar por parte das crianças, as famílias se tornam mais produtivas, trabalhando com mais afinco, há melhora na qualidade de vida, diminuição da poluição, o que possibilita a redução de alguns gastos governamentais, por exemplo na área da saúde.

Os dados fazem parte de uma proposta apresentada pelo CBCS ao setor de construção civil. Consiste na promoção de um programa integrado com a finalidade de melhorar a qualidade de vida das famílias e a competitividade da indústria, comércio e serviço, aumentar a produção de riquezas para o país, por meio da colaboração de órgãos públicos empresariais e representantes da propriedade. Os objetivos são gerar as oportunidades de negócio e gerar redução de gastos.

É necessário o trabalho do setor junto às famílias no sentido de escutá-las para melhor atender as suas necessidades. “A gente consegue entender a questão das habitações de forma a atender as expectativas da famílias daqui cinco, dez anos”. São coisas simples que a gente pode diagnosticar para incorporar uma mudança para o futuro, explica Marcelo. Integração das ações, redução da burocracia e a criação de um diálogo com a sociedade estão entre os desafios do programa.

Ainda no Fórum, o presidente do conselho de administração da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, Paulo Safady Simão, apontou a tendência de crescimento da construção civil (CBIC). Segundo ele, o setor tem crescido consistentemente. De 2005 para 2013, o número de trabalhadores na construção civil saltou de 1,3 milhão para 3,3 milhões de pessoas. A cadeia produtiva do setor representa 8,1 do Produto Interno Bruto do Brasil (dados de 2011).

Para Paulo Simão, não existe possibilidade de bolha imobiliária no país, “pois no Brasil ainda há um déficit habitacional. No setor da construção civil pode-se dizer que o momento é de pleno emprego. E programas como o PAC e o Minha Casa Minha Vida ampliam as perspectivas do setor”. O presidente da CBIC ressaltou, ainda, a importância de uma maior interação com a sociedade, a fim de alterar a imagem, frente a opinião pública, de que o setor da construção civil não só agride a natureza, como se envolve em casos de corrupção.

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