Pesquisadores do Laboratório de Corrosão e Proteção (LCP) do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), criaram sonda que detecta a corrosão em dutos provocada pela interferência de corrente elétrica alternada, provinda de linhas de transmissão. Segundo o professor Neusvaldo Lira de Almeida, do Laboratório de Corrosão e Proteção, a grande aplicação é para a indústria de petróleo e gás.
O desenvolvimento da sonda foi uma consequência de projeto do IPT, com parceria da Petrobras, que procurava estudar o funcionamento dos problemas ocasionados pelas linhas de transmissão. A pesquisa, iniciada em 2008, apurou também as formas de identificação desse tipo de corrosão. Segundo o docente, a criação da sonda foi muito além do imaginado: “O interessante foi desenvolver essa metodologia e essa tecnologia para avaliar a corrosão por corrente alternada em dutos instalados próximos a linha de alta tensão”, disse.
A principal aplicabilidade da sonda é possibilitar medições elétricas de campo que preveem, de forma segura, a probabilidade de ocorrência de corrosão por corrente alternada em dutos catodicamente protegidos. Segundo o professor, a existência de linhas de transmissão não pressupõe corrosão: “não é simplesmente o fato de estar debaixo dessa linha que o problema vai existir. Existem as condições, mas o duto pode estar sem nenhum problema.”, explica o professor.
A tecnologia auxiliará empresas a protegerem suas estruturas contra corrosão. Qualquer empresa que tenha dutos subterrâneos e que estejam sujeitos à interferência de corrente alternada dispersa no solo, pode utilizar-se da sonda, não importando a espécie do material transportado: água, petróleo, gás, etc.
Segundo o pesquisador envolvido no projeto, a criação da sonda beneficia muita mais empresas que transportam produtos suscetíveis a causar danos ambientais, como petróleo e gás, caso ocorra vazamento. “O grande problema das empresas de petróleo e gás não é o que vaza, o prejuízo do ponto de vista econômico é nada, mas o impacto ambiental e da marca da empresa é muito maior”, afirmou.
O interesse pela sonda é mundial, nenhuma outra tecnologia semelhante a ela foi inventada. Atualmente só existem equipamentos destinados à detecção de corrosão em dutos provocada pela interferência de corrente contínua dispersa no solo. No entanto, as medições utilizadas para corrente linear não se aplicam às correntes alternadas.
O problema relacionado a correntes alternadas é recente. Até então se estudava os processos de corrosão causada por corrente linear. Atualmente as empresas utilizam, além do revestimento dos dutos, o método de proteção catódico, que consiste no fornecimento de elétrons para o sistema, forçando a reação inversa à corrosão. A proteção catódica é o método mais seguro de proteção, mas pode falhar pela interferência de outras fontes de corrente, independentes das do equipamento, de acordo com o pesquisador do LCP.
A sonda precisará de alguns meses de testes antes de ser comercializada. O objetivo é verificar êxito da transformação de uma tecnologia criada na bancada de um laboratório em um produto disponível para o comércio. Segundo o pesquisador, os testes devem durar cerca de cinco meses.