São Paulo (AUN - USP) - Uma pesquisa do Instituto Butantan, revelou que o papiloma, vírus relacionado ao câncer genital feminino, diferentemente do que se pensava, não é transmitido apenas pelo contato sexual mas também através de outros fluidos do corpo, entre eles o sangue.
A pesquisa iniciou-se com experiências em bovinos e recentemente, a partir dos dados obtidos, o projeto avançou para o estudo em humanos. A presença do vírus no organismo não indica necessariamente a existência deste tipo de câncer, mas a maioria das pessoas que possuem a doença apresentam o papiloma. Através da colaboração de um grupo de cientistas do The Norwegian Hospital, da Noruega, o Instituto realizou um estudo com mulheres que já apresentavam o câncer genital e que, posteriormente, desenvolveram também o câncer de mama, provando que a expansão da doença se deu através do sangue e não por metástase, isto é, pela propagação de células cancerosas pelo organismo. “A intenção agora é desenvolver técnicas para a prevenção de câncer feminino”, afirma o diretor da Divisão de Desenvolvimento Científico do Instituto, professor Willy Beçak.
A intenção do trabalho é estudar a interação desse vírus com fatores ambientais, como fumo, drogas e radiação por exemplo. O estudo a respeito desses fatores ambientais que estão interagindo é muito importante como forma de alerta. “Se a pessoa tiver o vírus mas tiver um controle da qualidade de vida, ela pode prevenir a doença”, afirma a professora Rita de Cássia Stocco dos Santos, do Laboratório de Genética do Butantan.
Sabe-se que o câncer ocorre em duas etapas. Na primeira, a célula sofreria algumas alterações mas apenas num segundo passo ela se transformaria em uma célula maligna. A grande questão é saber onde entra o papiloma vírus. É necessário descobrir se ele prepara a célula, isto é, torna-a mais suscetível ao fator ambiental, levando ao câncer ou se é a célula sensibilizada pelo fator ambiental, exposta ao vírus, que se transforma. “Não se sabe se ele é o agente desencadeador ou o agente promotor”, diz Stocco.
O projeto está sendo desenvolvido pelo Laboratório de Genética do Instituto, em parceria com o Laboratório de Biofísica da Escola Paulista de Medicina e com várias instituições internacionais, contando ainda com o apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).