São Paulo (AUN - USP) - Os resultados obtidos no decorrer de seis anos no programa de Oceanografia da Plataforma Interna da Região de São Sebastião, o OPISS, serão compilados num livro que contará toda a história natural desse local. A obra, ainda sem título definido e com previsão de lançamento para 2001, traz a conclusão de um profundo trabalho de pesquisa multidisciplinar subsidiado pelo Fundo de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), que envolveu diferentes laboratórios e cientistas do Instituto Oceanográfico da USP.
“O objetivo do programa é analisar a integridade natural da região, visando o conhecimento do ecossistema e as conseqüências do impacto que ele sofreu devido à ocupação humana”, diz o coordenador da Divisão de Oceanografia Geológica do OPISS, professor Valdenir Veronese Furtado. Os laboratórios de Geoprocessamento (LABGEO) e de Sedimentologia Marinha (LSM), ambos chefiados por Veronese, estudaram mapas de topografia e de aporte e distribuição de sedimentos para inferir a formação e a evolução geológica da área. “Embora tenham restado ainda algumas dúvidas quanto à origem dessa disposição geográfica, este método permitiu avaliar com clareza o comportamento do canal e a função da Ilha de São Sebastião”, afirma.
São Sebastião, localizada no litoral norte de São Paulo, representa um importante pólo econômico e turístico do estado. A ocupação demográfica é alta e, mesmo com a intensa atividade portuária e petrolífera local, os efeitos da poluição sobre o canal ainda são pontuais e pouco alarmantes. “Ao contrário do que ocorre em Santos, por exemplo, a situação em São Sebastião ainda não é preocupante”, observa Veronese. “Acredito que a poluição do canal entraria em contradição com as aspirações turísticas do lugar”, conclui. A única ressalva do professor diz respeito à atividade pesqueira, cuja atitude predatória pode ser prejudicial à fauna marinha.
O programa OPISS, iniciado em 93 e encerrado em 99, serviu ainda como atividade curricular e acadêmica para alunos não só do Instituto Oceanográfico, como também de outras unidades da USP. Em 98, Max Furrier baseou sua tese de Graduação individual na Geografia em dados fornecidos pelo OPISS. No mesmo ano, Luís Américo Conti também recebeu apoio do programa ao defender sua dissertação de mestrado no IOUSP. Este ano, prevê-se que até maio seja apresentada uma nova tese com respaldo do OPISS, desta vez elaborada por Roberto Barcellos.