ISSN 2359-5191

16/06/2015 - Ano: 48 - Edição Nº: 50 - Ciência e Tecnologia - Instituto Oceanográfico
Modelo desenvolvido na USP prevê impactos de se modificar praias
Pesquisa procurou estudar forma de praias com desembocaduras no litoral brasileiro
Algumas das imagens de satélite utilizadas por Carlos Rogacheski no desenvolvimento de seu modelo

Pesquisador do Instituto Oceanográfico (IO) da USP, Carlos Rogacheski desenvolveu um modelo que, a partir de poucas informações, permite fazer previsões acerca da forma de praias junto a desembocaduras (ou seja, praias em que terminam rios). Para praias sem desembocaduras, já existe um modelo adequado, mas a presença do rio e sua interação com a maré fazem com que tais antecipações sejam mais complicadas.

Trabalhos como esse são importantes por possibilitarem que se anteveja as consequências de eventuais mudanças feitas na praia – especialmente no que diz respeito a obras de engenharia. Rogacheski esclarece: “Quanto mais você conhecer, mais vai conseguir prever. Então no momento que você vai atuar, por exemplo, vai construir um porto ali, você vai saber dizer qual será o impacto. Quanto melhor for essa previsão, mais sucesso e menos problemas você vai ter”.

O pesquisador explica ainda que a dinâmica costeira de uma praia está diretamente relacionada com a dinâmica das ondas: normalmente se faz um ciclo na costa, começando pela onda, que gera corrente e que, por sua vez, é responsável por grande parte do transporte de sedimentos na praia. Por consequência, mudar as condições da onda pode provocar uma mudança na condição de equilíbrio de uma praia, o que em alguns casos pode levar a processos de erosão ou avanço da praia.

É importante ressaltar que o modelo em questão foi feito para analisar períodos longos, não funcionando bem a curto prazo. “Por exemplo, a praia normalmente tende a estar em equilíbrio, então ela pode erodir mas, em longa escala de tempo (acima de 30 anos), a praia vai ser sempre a mesma; se tem uma ressaca, digamos, ela vai erodir em cinco dias, mas num prazo de 30 anos, a praia é aquela ali. Então esse modelo é para período longo, não para uma questão de dias, de meses. A gente tá pensando acima de dez anos”.

Abrindo caminho para o aperfeiçoamento

O modelo foi elaborado a partir de outro já proposto mas que, quando aplicado às praias brasileiras, não se ajustou adequadamente. Procurou-se adaptar marginalmente seus parâmetros, mas só foi possível atingir um resultado satisfatório quando o modelo foi reestruturado.

Foram estudadas, ao todo, 27 desembocaduras ao longo da costa do Brasil, compreendendo os litorais sul, sudeste e nordeste. Devido à impossibilidade de se visitar cada um dos locais, o trabalho foi feito em cima de imagens de satélite, a partir das quais foram obtidos parâmetros.

Entre as dificuldades encontradas por Rogacheski no decorrer da pesquisa estava a ausência de um modelo de perfil – ou seja, que veja a praia da lateral, e não de cima (em planta), como é o caso do trabalho em questão – que se ajuste bem a praias com desembocaduras. É necessário ter modelos em planta e perfil que se adequem para permitir sua aplicação com maior validez a casos reais.

Além disso, a obtenção de dados precisos o bastante foi problemática, o que acabou comprometendo ligeiramente a exatidão dos resultados do trabalho. “Houve uma certa imprecisão, mas a gente tem que aceitar. A ideia é que comecem a usar esse modelo para aprender, aperfeiçoar”.

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