ISSN 2359-5191

09/10/2015 - Ano: 48 - Edição Nº: 95 - Meio Ambiente - Instituto Oceanográfico
Pesquisa usa medição para diferenciar organismos microscópicos marinhos
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Tradicionalmente, sempre que se é pensado na vida na Terra, a primeiro apontamento é para seres macroscópicos como os dinossauros e outros animais. Porém, a pesquisadora Fabiane Sayuri, do Instituto Oceanográfico da USP, conta que são os seres microscópicos,como os foraminíferos planctônicos ou bentônicos, que reúnem a maior base de informações sobre o passado.

Os foraminíferos planctônicos compõem um grupo de microfósseis calcários encontrados no ambiente marinho e apresentam dificuldades para identificação de espécie. Pensando na importância desses seres, a pesquisadora se dedicou a trabalhar com métodos que melhorassem a precisão das pesquisas sobre esses microfósseis calcários para poder identificar de maneira eficaz as espécies do grupo e implantou a observação morfométrica.

Sayuri comenta que estudos genéticos revelam um número muito maior de espécies existentes do que conhecidas e isso deve-se ao fato de elas não contarem com muitas diferenças morfológicas, o que apenas com o microscópio não conseguimos identificar, como é o caso das espécies crípticas, que são morfológicamente idênticas.

A pesquisadora mediu vários parâmetros dos organismos para diferenciá-los morfometricamente e em sua pesquisa percebeu que um grupo dos microfósseis fazia parte de uma espécie diferente do esperado. Ela conta que algumas espécies estudadas no Atlântico possuíam duas cores, rosa e branca, e esse era seu único método de identificação. Mas, através da genética e de medidas, os grupos de coloração diferente se mostraram fazer parte de uma mesma espécie.

O estudo mostrou ainda alterações provocadas pelo ambiente. Com o uso de dados geoquímicos, que permitem, por exemplo, estudar a variação da morfologia com a temperatura dos oceanos ao longo dos anos, algumas espécies foram identificadas, ressaltando a importância da pesquisa. Antes de usar dados morfométricos, acreditava-se que um grupo em uma região específica fazia parte de uma mesma espécie, mas com a comprovação isso não se mostrou como uma regra.

Fabiane ainda ressalta a importância desses organismos, muitas vezes esquecidos, no escossistema. A pesquisadora comenta que tais microfósseis seriam o elo entre as micro-algas e o terceiro nível trófico na cadeia alimentar. Além de terem um importante papel no ciclo do carbono graças à concha de carbonato. Sendo assim, uma grande produção desse organismos no oceano significa uma menor quantidade de gás carbônico na atmosfera.

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