ISSN 2359-5191

30/05/2001 - Ano: 34 - Edição Nº: 09 - Ciência e Tecnologia - Instituto Butantan
Concluído processo de produção da vacina brasileira para meningite B

São Paulo (AUN - USP) - O Projeto Meningite, que visa a obtenção de uma vacina brasileira para a meningite B, está a poucos passos de seu objetivo. Toda a infraestrutura para testes em humanos já foi construída e o antígeno (substância que estimula a formação de anticorpos) já foi produzido em grande escala. Para concluir o trabalho, a equipe ainda precisa ampolar as vacinas, adquirir a licença para testes clínicos junto ao Ministério de Saúde, e conseguir uma equipe de médicos que viabilizem e acompanhem os testes.

A meningite B pode ser causada por três grupos de bactérias distintas. A mais comum no Brasil é a chamada meningococo, que pode ser de tipo B ou C. A vacina contra a meningite C já vem sendo produzida pela Fundação Oswaldo Cruz há algum tempo. Mas, contra a meningite B, apenas Cuba e Noruega possuem vacinas já testadas.

Essas não são suficientemente eficazes no Brasil, porque a meningococo B pode ser encontrada em seus vários subtipos, com proteínas diferentes. “E cada região do mundo tem a predominância de um subtipo específico, o que significa que cada país deveria produzir a sua própria vacina, adequada às suas necessidades” diz Marta Tanizaki, do Laboratório de Biotecnologia do Instituto Butantan.

A primeira etapa, portanto, foi descobrir qual é o subtipo predominante no Brasil. Isso foi feito pelo Instituto Adolfo Lutz, parceiro do projeto junto ao Butantan e à Fundação Oswaldo Cruz do Rio de Janeiro. Através do contato com todos os pacientes do país, chegou-se à conclusão de que existem dois subtipos da meningococo B predominantes: o N44/89 e o N603/95.

A partir daí, coube ao Butantan e ao Oswaldo Cruz a produção das vacinas para as duas bactérias. O procedimento utilizado pode ser simplificado da seguinte forma: 1) cultua-se cada bactéria em ambiente próprio até que cresça e se multiplique em grande quantidade; 2) à medida em que crescem, elas produzem e eliminam vesículas (pequenas “bolsas”) repletas de proteínas bacterianas; 3) retira-se e purifica-se essas vesículas, que são o próprio antígeno; 4) o antígeno passa por testes de qualidade e é testado em animais; 5) elabora-se métodos para a análise da eficácia da vacina.

Todas essas etapas já foram concluídas. Conseguir a licença para testes clínicos em humanos deve demorar ainda um pouco, principalmente pela burocracia que é imposta nesses casos. Para os testes, o Butantan já tem construído um laboratório especial, financiado, assim como todo o projeto, pela Fapesp, a Fundação Butantan, a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, e a Finep, órgão federal de financiamento de projetos.

O mais complicado, segundo Marta Tanizaki, “é conseguir médicos que estejam dispostos a praticar os testes, que possuam pacientes voluntários e, principalmente, que se responsabilizem pelo acompanhamento dos casos e pelos danos que eventualmente aconteçam aos pacientes”.

A previsão é que até o final deste ano estes obstáculos já tenham sido ultrapassados e os testes clínicos possam começar. “Depois disso, são necessários de três a cinco anos de avaliações para que a vacina esteja no mercado”.

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