ISSN 2359-5191

29/03/2000 - Ano: 33 - Edição Nº: 03 - Ciência e Tecnologia - Instituto Butantan
Butantan descobre atuação do veneno de lagarta

São Paulo (AUN - USP) - O mecanismo de ação do veneno da lagarta Lonomia obliqua em humanos, que pode levar à morte por problema renal ou por hemorragia cerebral, foi descoberto pelo Laboratório de Fisiopatologia do Instituto Butantan. Envenenamentos com essa lagarta já ocorrem no sul do Brasil há aproximadamente dez anos. Com base em estudos realizados na Venezuela, onde ocorrem casos parecidos, pensava-se que o acidente era fibrinolítico, ou seja, o veneno elimina as proteínas do sangue que formam a fibrina, substância que bloqueia a hemorragia. Achava-se, portanto, que a pessoa morria porque sangrava muito, e que o tratamento deveria ser feito com antifibrinolíticos, como na Venezuela. No início do projeto, o Butantan verificou que, ao invés da destruição dos fatores de coagulação, há o estímulo excessivo. O Instituto desenvolveu também um soro que vem sendo usado para o tratamento.

No entanto, ainda hoje, muitos médicos continuam a crer que o acidente é fibrinolítico e começam a propor a associação dos tratamentos, correndo o risco de agravar o estado do paciente. A justificativa para isso seria o surgimento de hematomas pelo corpo, que podem levar ao sangramento por cicatrizes, por feridas ou pela gengiva, entre outros. Contudo, o projeto provou que, no caso de coagulação maciça, bloqueando o vaso sangüíneo, há isquemia (falta de oxigenação em determinado ponto do organismo). Para possibilitar que o sangue volte a circular normalmente, o vaso acaba arrebentando e provoca uma hemorragia. " Com o estudo de 78 pacientes do sul, o Butantan concluiu que o acidente é realmente pró-coagulante e tem uma ativação do sistema fibrinolítico secundária à coagulação, o que é absolutamente normal", afirma a pesquisadora Ana Marisa Chudzinski-Tavassi.

Outro projeto desenvolvido pelo Laboratório envolve uma sanguessuga brasileira denominada Haementeria depressa. O Instituto purificou e caracterizou uma proteína anticoagulante, presente neste animal, a qual funciona como inibidor do "fator 10" (FXA), substância vital no processo de coagulação. Ele ativa a enzima responsável pela formação do coágulo, a trombina. Inibidores desse fator já existem, mas enquanto os demais necessitam de cofatores, este atua sozinho, de modo direto, tornando sua ação mais eficaz. A intenção dos pesquisadores agora é desenvolver um medicamento. "Já há interesses de indústrias farmacêuticas internacionais em explorá-lo", ressalta Tavassi.

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