ISSN 2359-5191

26/04/2000 - Ano: 33 - Edição Nº: 05 - Meio Ambiente - Instituto Oceanográfico
Dissolução de gás no mar pode alterar previsões para efeito estufa

São Paulo (AUN - USP) - Investigações recentes do IOUSP, Instituto Oceanográfico da USP, estimam que cerca de 40% do dióxido de carbono (CO2) lançado pelo homem na atmosfera dissolve-se na água do mar. Embora essa porcentagem ainda seja incerta, pois necessitam-se de muitos dados do oceano no ponto de vista global, sua importância é vital para previsões de alterações climáticas devido à concentração dessa substância na atmosfera do planeta, cujo exemplo mais conhecido é o efeito estufa.

O efeito estufa consiste no superaquecimento global devido à retenção de energia solar realizada pelo excesso de CO2 e outros gases no ar. Especialistas no assunto têm notado que a quantidade desse gás encontrada anualmente na atmosfera é inferior à que eles supunham ser liberada, no mesmo período, com a queima de combustíveis fósseis. “Hoje, acredita-se que a parcela que falta tenha sido absorvida pelos oceanos e pela biosfera terrestre”, diz a responsável pelo projeto Avaliação do Sistema Carbonato no Ambiente Marinho, Rosane Gonçalves Ito. “A dissolução de CO2 no mar é um fenômeno natural complexo, que envolve aspectos físicos, como temperatura e salinidade da água, e aspectos biológicos, como a presença de algas”.

O objetivo do programa é estudar a troca de gases entre o oceano e a atmosfera, e avaliar o impacto dessa interação em ambos os meios. Desde 1997, Rosane parte regularmente em expedições em alto mar ou na costa brasileira, na região da Plataforma Continental de São Paulo. Com equipamentos científicos instalados na embarcação, ela mede a pressão parcial de CO2 e o pH da água do mar. Em janeiro de 1999, ela passou dois meses na Antártida, para comparar como o processo ocorre em ambientes diferentes. “O meio marinho varia tanto em cada região do planeta que é difícil fazer conclusões categóricas e genéricas”, ressalva. Supõe-se que na Antártida a dissolução de CO2 seja maior devido à baixa temperatura da água.

O papel do oceano como reservatório de CO2 ainda está sendo debatido. Rosane alerta que, mesmo com a comprovação dessa teoria, não se deve utilizá-la como solução paliativa para o problema do efeito estufa. Primeiro, porque a equação química tem um equilíbrio específico. Em princípio, caso o limite de solubilidade seja ultrapassado, o CO2 em excesso é devolvido para a atmosfera ou levado ao oceano profundo. Além disso, o íon bicarbonato associado a esse gás é responsável pela regulação do pH da água. Um aumento no teor desse íon a tornaria mais ácida, alterando as reações químicas marinhas e o habitat natural dos peixes. “Numa previsão a longo prazo, se muito dióxido de carbono for dissolvido no mar, teremos graves conseqüências ecológicas”, afirma.

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